Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

As autoras:

Arquivo:

Estou viva! Viva assim-assim, vá.

Cada vez que olho para o link deste blog ou sempre que recebo uma notificação no Facebook sinto-me falhar. Tanta gente que nos pede para escrever, tantos comentários de pessoas que têm saudades nossas e eu aqui, paralisada, bloqueada, em silêncio.

Sempre fui sincera neste blog e não é agora que vou deixar de ser, acreditem quando vos digo, eu já não tenho sogra. Já tive, noutra vida, quando eu era outra pessoa, uma pessoa que já não reconheço, que mais me parece uma personagem de um filme, de um livro daqueles que ninguém lê.

Há tanto tempo que decidi escolher a minha sanidade mental que acho que já nem me lembro de histórias hilariantes ou de piadas giras. A minha sogra já não tem poder sobre mim, nem para o bem nem para o mal, é só mais uma pessoa no planeta, uma pessoa a quem não desejo nem mal nem bem, uma pessoa que não me interessa, ponto final.

Vezes sem conta faço um esforço enorme por me lembrar de alguma para aqui escrever mas não consigo encontrar nada. É como se estivesse curada, não sei. As memórias já não me chateiam, não me irritam, seguramente já não me transtornam, mas também não me fazem rir. Eu sei que aconteceram na minha vida, mas não as sinto como minhas, é tão estranho. Diz que quando já não nos interessa olha para trás é porque estamos a fazer alguma coisa certa, acho que é isso. 

Certamente um dia destes vou lembrar-me de algum episódio hilariante para vos contar, mas no entretanto não me quero sentir em falta. Muita gente nos pergunta como é que fazemos para aguentar, para superar sogras que não lembram a ninguém, bem, nisso posso ajudar, posso tentar contar-vos o processo, o que me foi acontecendo, mas não esperem rebolar no chão a rir, tudo tem um preço, é só uma questão de saber se estamos dispostos a pagá-lo.

No entretanto, teria muito gosto em receber-vos no meu blog de todos os dias onde se fala sobre a vida... pós sogra!  Até tenho um endereço novo a estrear: www.makinglemonade.blogs.sapo.pt. Passem por lá! E pela página do Facebook! E pelo Instagram! 

Ao contrário de mim, que me faltam histórias, diz que à Coisa, o que lhe falta é tempo. Coisa, onde é que andas?

Carta à minha sogra...

Querida Sogra,

 
Como está? E a saudinha?
 
Sabia que estão quase a passar cinco anos desde a última vez que tivemos contacto directo consigo? Cinco anos são muitos anos. Anos suficiente para lhe escrever qualquer coisa sem ressentimentos ou acusações. Sabe, há cinco anos eu era outra pessoa, era mais tolerante e disponível, menos exigente, mais generosa com o meu tempo. Há cinco anos, as minhas melhores características estavam esfumadas em quase nada porque vivia bloqueada pela certeza de que à família é obrigatório desculpar tudo. Há cinco anos eu ainda tinha às costas o peso de achar que lhe estávamos a dever alguma coisa. Há quase cinco anos, quando me enfiei num avião para remediar a situação que você causou, ainda não sabia o que é a vida me ia trazer. Mas agora já sei e parece-me que é tempo, tempo de lhe agradecer.
 
Há dias o miúdo foi brincar para casa de um amigo, férias da escola e quem estava a tomar conta dele era a avó, mãe da mãe. Estivemos ali dez minutos à conversa e a senhora lá me foi dizendo que agora é ela, mas que nas próximas férias vêm a avó mãe do pai e que se vão revezando assim, que aproveitam para passar tempo com os três netos e dão uma mão aos filhos. Na semana passada, à porta do supermercado, ajudei um senhor que se estatelou no meio do chão e abriu o sobrolho. Não fiz grande coisa, dei-lhe lenços de papel e depois dele ter limpo a ferida, pus-lhe um penso que tinha na mala. Mas ajudar aquele senhor, que tinha certamente idade para ser meu pai, lembrou-me que eu não tenho pai e que consequentemente os meus filhos não têm avô. Ainda outro dia dizia isso ao seu filho, que muitas vezes permito excessos aos miúdos porque tendo a querer compensar as coisas que não lhes podemos dar, como uma vida familiar normal. Ia escrever que esse é o único ressentimento que lhe guardo, mas no fundo não é verdade. A verdade é que lamento, lamento que os miúdos nunca venham a ter a experiência que eu tive, mas no fundo há coisas piores, não é? Por isso lhe digo, mesmo calculando que o assunto nunca a tenha incomodado, que não há ressentimentos, o passado está no passado e o que importa é aprender com a experiência.
 
Por falar no passado… Os miúdos estão enormes! À parte daquilo que é normal para a idade, acho que temos feito um trabalho decente a educa-los. Temos superados mudanças de casa e escola com beijos e abraços e nos momentos mais difíceis focamo-nos nas coisas boas, como facto deles falarem fluentemente três línguas (quase 4) aos 11 e 7 anos. Viajamos o que podemos porque queremos mostrar-lhes o mundo e todos os dias nos esforçamos por ser bons exemplos. Gostaríamos que eles se tornassem em pessoas humildes mas seguras de si e do seu valor, justas e altruístas, felizes. É por isso que lhes ensinamos que respeito é devido a todos, que não somos melhores que ninguém, que ser diferente é bom e que devemos sempre dizer a verdade. Eu sou particularmente pouco tolerante a mentiras, confesso, e essa é uma das razões pelas quais nunca lhes escondemos o porquê de sermos tão poucos. A mais velha lembra-se daquela vez em que você lhe disse que os sapatos dela eram horríveis, sabia? Ela teria quê, 4 ou 5 anos? Não se lembra de grandes pormenores, mas recorda-se do mau estar, das discussões, da tensão. O mais novo não tem qualquer memória, ainda outro dia ficou espantado porque nunca se tinha lembrado que o pai também tinha uma “mãe”, a realidade dele sempre foi assim e lamento dizer-lho, mas podia sentar-se ao lado dele no autocarro e ele não saberia quem é. Mas há sempre qualquer coisa de bom em tudo o que nos acontece, se não fosse a decisão que tomamos há cinco anos, não teríamos legitimidade para ensinar aos nossos filhos que devemos exigir que nos tratem bem, que nos respeitem na igualdade e na diferença, não poderíamos explicar-lhes que as relações entre as pessoas não se baseiam em sangue ou parentesco, mas em lealdade, em honestidade e em amor incondicional. 
 
O seu filho está óptimo, mais giro e interessante que nunca. Sei que ele dá o devido valor ao que tem e que já fez as pazes com o que a vida não lhe permite, mas às vezes custa-me que ele não tenha ninguém da sua família de origem que goste e precise verdadeiramente dele. É que o seu filho mais novo é um homem a sério. Se vivêssemos todos uma vida normal, acho que era dele que você, querida sogra, devia estar mais orgulhosa.  É que apesar da negligencia e da falta de modelos nos anos de formação (e da absoluta incompetência para escolher prendas ou fazer surpresas), ele é o melhor pai e marido de sempre. Profissionalmente, só para lhe dar uma noção do quanto subestimou o seu filho, digo-lhe que na multinacional onde trabalha só há três pessoas acima dele. E asseguro-lhe que ele não se ficará por ali porque tem potencial para muito, muito mais. Como mãe entristece-me que você não possa ver a pessoa verdadeiramente excepcional que o seu filho se tornou, mas sei também que se visse nunca teria capacidade para apreciar… Ele confessou-me outro dia, já nem sei do que é que estávamos a falar na altura, que nunca se sentiu completamente confortável na vossa família, que muitas vezes se sentia envergonhado pela falta de decoro e excesso de alarvaria. É triste, não é? Espero que lhe contente saber que apesar de tudo ele encontrou um lugar no mundo e que ao contrário de muita gente, não vive em piloto automático. Quanto a mim, sejamos sinceras, não vale a pena gastar tempo com assuntos que não lhe interessam minimamente. 
 
Acrescento somente que estamos bem, todos bem, vivemos em paz. E é essa paz que tenho que lhe agradecer, no fundo. Esta paz só começou a ser construída no dia em que cessamos todo o contacto consigo. E se ao inicio foi esquisito, se a decisão radical doeu por nos fazer questionar os nossos próprios valores, agora tudo é claro: a diferença é normal, a personalidade é tolerável, mas a maldade é absolutamente inaceitável. Sabe, é que eu compreendo a diferença e sei que a educação e formação moldam as pessoas mas não fazem delas melhores ou piores, o que faz de nós o que somos é o que temos no coração e o seu, querida sogra, está cheio de rancor, de inveja, de peçonha. Não sei porquê e para ser sincera já nem me interessa, o que sei é que, da mesma maneira que os anos de contacto consigo esbateram mas não destruíram o que o meu coração tem de melhor, você nunca vai deixar de ser assim. 
 
Foi um processo longo, mas digo-lhe honestamente, já não lhe desejo mal nenhum (em tempos um balde de fertilizante animal pela cabeça abaixo não me teria parecido nada mal). Mas também lhe asseguro, não a quero na minha vida. Jamais. Nem a si nem ao resto da trupe, que feliz ou infelizmente é igual ou parecida consigo. Viver rodeado de gente que trás ao de cima o melhor de nós é como um estilo de vida, depois de experimentar, o que estava para trás deixa de fazer sentido. Foram 10 anos de uma tortura constante, depois mais uns tantos para por tudo no lugar, hoje, passados quase cinco anos do final da novela mexicana que foi lidar consigo não podia estar mais satisfeita com a decisão de não aturar mais merdas. Obrigada querida sogra, porque depois de devidamente empilhadas, analisadas e processadas, as intrigas, as tensões, as quase imperceptíveis crueldades fizeram de mim uma pessoa muito melhor. Obrigada querida sogra por me ter levado ao limite, por ter testado a minha sanidade mental e a elasticidade do meu casamento. Obrigada pelo exemplo do tipo de mãe que eu nunca vou ser. Obrigada querida sogra por ter fugido na calada da noite, facilitando a nossa mudança de vida e posteriores descobertas sobre outros familiares igualmente tóxicos. Obrigada, apesar de tudo e principalmente, pelo seu filho.
 
Espero que esta carta a encontre bem e, utilizando um lugar comum de forma perfeita, não posso terminar sem deixar lhe desejar... o dobro daquilo que você me deseja a mim.
 
a sua nora, 
Criatura

A minha sogra tem...

Antes de mais... Feliz 2015! Que as sogras não vos dêem cabo da cabeça!

 

Pois que no final do ano passado fiquei a par de uma novidade estonteante: a minha sogra tem uma conta no Facebook! Uau!

O primeiro passo foi bloquear o endereço nos nossos perfis pessoais todos, como é obvio, mas depois uma pessoa pode sempre apreciar. Assim às primeiras temos a foto, onde com detalhe se pode analisar as trombas das senhora, com a cara de enjoada do costume, como se lhe estivesse sempre a cheirar mal. Eu não a vejo seguramente há uns 5 anos, na foto está igual à ultima vez que a vi, mas maior, vá. Depois há a lista de amigos, não sei quantos são, o que sei é que a lista de amigos dela é praticamente igual á minha lista de bloqueios, uma maravilha portanto, todas as pessoas que ela envenenou ao longo dos anos, ali concentradas num quadradinho. Tanta gente que não aprende, caramba. Os likes também dizem muito sobre ela, mas nem vou por ai, porque gostos são gostos e cada um tem os seus.

E depois a melhor parte, os comentários nas várias publicações. Muitos são só parvoíces como "ah D. não sei quantas está tão linda na foto" ou "ena pá a D. não sei quantas agora tem Facebook"  mas há alguns que me preocupam verdadeiramente, gente que eu não conheço (que calculo tenha iniciado algum tipo de relação com a minha estimada sogra depois de nós termos saído de cena), que diz coisas tipo "D. não sei quantas, obrigada por ser minha amiga" ou "estou muito feliz por a D. não sei quantas ser como é". Estas frases são assustadoras. Agora já não, porque já me deixei disso, mas antigamente eu era criatura (espera, eu sou a criatura!) para ter pena desta gente, para ter uma pontinha de vontade de avisa-los(as) sobre o que vem a seguir, sobre o que acontece no dia em que não fizerem exactamente o que a D. não sei quantas quer que façam, ou o que já está a acontecer, porque o acto de falar mal pelas costas faz parte do ADN da minha sogra. Amiga? Really? Esta gente está ceguinha? Aquela pessoa não é amiga de ninguém, nem dela própria quanto mais! E obrigada por ser como é? Puxa! Eu cá sou agradecida por muita coisa nesta vida, mas o feitio da mãe do Homem jamais fará parte da lista! Pobres almas, nem sabem o que, mais cedo ou mais tarde, as espera... 

A minha sogra tem Facebook, e as vossas? Contem-me tudo!

O marido da sogra que era o pai da nora ou o sogro que também era padrasto. [Parte III]

Eu sabia que havia uma boa razão para ainda não ter acabado de contar a história do marido nº 3. Qualquer coisa no ar dizia-me que ainda não era tempo, que devia esperar... Bem dito, bem feito. Vocês, pessoas desse lado, nem vos passa pela cabeça!

Pois então que é hoje.

Para o caso de quererem lembrar o assunto, está AQUI a história do marido nº1 e AQUI a do marido nº2.

 

Logo ao principio e depois de recuperar do choque que foi saber que o meu pai andava metido com a minha sogra, confesso que até achei piada à ideia. Mas isso foi há muito tempo, quando eu ainda não tinha visto as "true colors" da senhora, bem, e do meu pai também, para ser sincera. Com o tempo, foi-se tudo tornando num inferno, numa situação dificilíssima de gerir, uma realidade alternativa que me tirou muitas horas de sono e quase me levou à loucura, para já não falar do teste que foi para a minha relação com o Homem.

Depois da revelação e da mudança em 3 horas, ao final do dia, a minha sogra e o meu pai estavam num avião com destino a outro pais europeu. O plano era arranjarem um trabalho e começarem uma vida nova, tudo muito lindo e cheio de flores cor-de-rosa e passarinhos a cantar. Lembro-me que ainda estiveram umas semanas à procura e por fim lá encontraram o que queriam. Os dias foram correndo, transformaram-se em semanas e depois em meses e nessa altura ainda estava tudo pacifico.

No Verão seguinte fomos todos de férias e nos entretantos começou a sentir-se tensão, como o episódio que já aqui contei em que ela me passou a roupa toda mal só para chatear. Mas a coisa ia passando, porque como não estávamos juntos muitas vezes, diluía-se no tempo. Piorou definitivamente quando fiquei grávida da Miúda, acho que a senhora realizou finalmente que eu não ia a lado nenhum e não gostou da ideia. 

No entretanto sogra e marido nº3 iam mudando de emprego como quem troca de cuecas. A desculpa era que ganhavam mais, mas a verdade era outra, a verdade é que ela arranjava problemas e desavenças em todos os sítios por ponde passava. Cada mudança gerava chatices e claro, perante os conflitos, cada um deles queria que os respectivos filhos (nós) lhes tomássemos as dores. E depois a falta de noção, quando se apanhavam sozinhos connosco, ele dizia mal dela e ela dizia mal dele, sem sequer pensarem que estava a falar de um dos pais da outra pessoa. Era insuportável. Era horrível. Dava-me cabo dos nervos. 

No entretanto o anos foram passando, com períodos mais calmos e outros mais tensos, tanto na relação deles como na relação deles connosco. Nos períodos bons compravam carros e viajavam, nos maus eram queixas sem fim e planos para fugir. Uma novela.

Nós cortamos relações com ela quando eles ainda viviam juntos. Nesse ultimo verão, tinha o Miúdo dois anos, ela foi para Portugal sozinha e nós fomos de férias para o apartamento deles, para terem noção da mente distorcida de pessoa, quando lá chegámos, todos os armários estavam fechados á chave, não fossemos nós roubar alguma coisa. No Outono seguinte, um dia, depois de acabar o serviço, a sogra pegou nas coisas dela e foi-se embora. O meu pai teve de explicar aos patrões o que tinha acontecido e para ele não ficar sem emprego, enfiei-me eu num avião para ir substitui-la. Meses mais tarde fui acusada de ter feito de propósito, que ela já sabia que eu estava à espera para lhe roubar o lugar. 

Quanto á relação (ou deverei dizer ralação) deles, não sei como ficou. Na altura havia uma casa para vender e mais uns tantos pendentes, mas a verdade é pouco mais de ano depois, quando de lhe pedirmos para parar de nos mentir, foi o mau pai que cortou relações connosco, alegando que, e cito: "deixou de fumar de um dia para o outro por isso também deixa de nos falar da mesma maneira". 

Isto aconteceu em 2010. 2015 está ao virar da esquina.

 

Foi quase uma década de sofrimento. Depois de ponderarmos os prós e contras, decidimos que devíamos deixar as coisas como estavam, que feliz ou infelizmente, a nossa vida ia melhorando a todos os dias que nos afastávamos. Se ao inicio custou, hoje tenho a certeza absoluta que foi a melhor coisa que nos aconteceu, que é preferível estarmos sós que mal acompanhados, que a vida dos trouxe outras pessoas, que os meus filhos só terem um par de avós não é nenhum drama. 

De vez em quando chegam-nos informações sobre a sogra e também sobre o meu pai, não as procuramos, mas há sempre quem nos faça conversa de circunstância. Outro dia soubemos de uma novidade que nos fez rir até mais não, mas lá está, podia até nem ser verdade, que esta gente gosta de inventar. Umas semanas depois, outra pessoa, em nada relacionada com a primeira, contou o mesmo. Cá para mim ainda pode ser invenção, mas olha, conto-vos na mesma. Querem uma prova em como a estupidez humana não tem limites? Passados 4 anos e uma data de insultos depois, parece que a sogra e o marido nº3, a.k.a. dad... Estão juntos outra vez! 

Coisa e Criatura, como é que vai isso?

Todos os dias, na página do Facebook há pessoas que nos perguntam como estamos, onde andamos, porque desaparecemos.

Este post, escrito por uma de nós, mas com o coração das duas, é para todos os que estão ai desse lado, porque quem gasta o seu tempo connosco, merece uma resposta, merece atenção.

Na verdade, nós não desaparecemos, a vida é que foi acontecendo no entretanto. Veio a Primavera e depois o Verão, os dias compridos e as férias. Os miúdos mais tempo em casa e a precisar de mais atenção, a piscina e a praia e a vida lá fora. Depois os dias desencontrados, eu por aqui, a Coisa várias semanas com a família em Portugal, eu fora, a Coisa a regressar. E por fim o recomeço do final do Verão e as escolas e as actividades e a vida sempre a correr. E entretanto chegamos ao presente.

Gostava de vos dizer que foi só isso, que foi só a vida que se foi vivendo todos os dias, que o calor trouxe preguiça e as semanas se foram passando, mas infelizmente não foi só isso. A verdade é que a Coisa está doente. Um diagnóstico e tudo virado ao contrário, respostas impossíveis e processos necessários. A Coisa vai explicar tudo um destes dias, a seu tempo, no seu ritmo, vai inclusive contar-vos como é que a sogra reagiu à notícia da doença, mais um filme, como não poderia deixar de ser. Hoje, o que vos queríamos dizer é que este blog é escrito a 4 mãos e quando duas das mãos não têm disponibilidade para este diálogo, para esta sinergia, as outras duas também se deixam estar, esperando melhores dias.

A Coisa, que devo dizer-vos, é uma pessoa extraordinária, inspiradora e extremamente optimista, queria escrever qualquer coisa do género "A Coisa tem estado muito doente, será que foi praga da sogra?". Eu tenho um sentido de humor menos apurado e acredito que hoje devemos falar a sério. Hoje, porque boas energias nunca são de mais, queria pedir-vos que me ajudassem a celebrar a Coisa, o seu coração enorme e a sua capacidade infinita de sorrir. Hoje, queria pedir-vos comentários e likes, palavras simpáticas e abraços apertados, todos, todos para a Coisa, essa miúda gira que me entrou na vida e me tornou melhor. Digo-lhe muitas vezes que gosto muito dela, hoje digo mais uma, aqui, para toda a gente ouvir. Coisa, és a maior! 

Não desaparecemos portanto, estamos aqui, a gerir a vida e a tomar coragem para escrever mais. A Coisa tem um infinito de histórias para contar e eu também estou a dever umas quantas. Não fugimos, vamos voltando, aos bocadinhos. Pé ante pé. 

Obrigada por estarem e continuarem ai. <3

Mais do mesmo... Ou não!

Há sogras que tiram uma pessoa do sério, que enervam de tal forma, que passado um tempo a reacção à sua voz, ou à ideia da sua presença causa mal estar, mental e até físico. Eu era uma dessas pessoas, só a ideia da minha sogra telefonar ao filho transtornava-me. 

Esta é para as moças a quem as sogras ainda dão cabo dos nervos: há esperança.

Ontem o Homem chegou a casa e disse-me que tinha estado a falar com o pai (o marido número 1 da sogra). Não estando para aqui a divagar sobre a conversa, porque no fundo não interessa nada, diz que um dia destes, numa ocasião social, o meu sogro confrontou a ex-mulher e disse-lhe para ela parar de falar mal de nós a toda a gente. O relato foi acompanhado por uma breve descrição da reacção da minha estimada sogra.

Ora atentem...

No ido ano de 2009, por exemplo, a Criatura que vos escreve era pessoa para ficar com dores de estômago ao ouvir esta história. Depois, quando o cérebro assimilava a informação, aparecia a sensação de formigueiro debaixo da pele, a revolta pela injustiça de mais uma vez, esta mulher horrenda andar a falar de nós, a espalhar mentiras e a corroer-nos a vida. E o mau estar, a inquietação por não compreender, por não conseguir perceber o porquê deste ódio de estimação, desta necessidade patológica de destruir. E no final, pagava o justo pelo pecador, porque esta Criatura que vos escreve não é de ferro e acabava aos berros com quem não tinha nada a ver com o assunto, como o Homem, coitado, que só teve a má sorte de ter sido parido por uma mãe assim. E se pensam que isto era coisa que passava em horas, ou num dia vá, digo-vos já que não era. É que a seguir, a probabilidade da sogra telefonar com falinhas mansas e três toneladas de hipocrisia era alta. Era um ciclo vicioso, sempre o mesmo, sempre o mesmo, sempre o mesmo.

Em 2014, depois de anos de afastamento físico e muito crescimento pessoal, a reacção desta Criatura que vos escreve foi radicalmente diferente, ora sigam o meu raciocínio: a minha sogra anda a falar mal de nós, fixe, e mais novidades? Ah! A minha sogra, depois de para ai 5 anos sem nos por a vista em cima continua a falar mal de nós, puxa que é criativa, sempre gostava de saber onde é que ela vai buscar assunto... Espera, devia começar a jogar no Euromilhões, parece-me que tenho uma certa tendência para adivinhar o futuro, é que eu até já tinha previsto este cenário. Ups, mas e o mais importante, o mais importante não é isso... O meu sogro confrontou a minha sogra e a minha sogra passou-se, não que me tenham contado detalhes, mas a minha experiência no assunto faz-me logo ver o filme todo. O meu sogro confrontou a bruxa e a bruxa passou-se. Ahhh! Um granda hi-five para o meu sogro que a fez descabelar-se! All hail o meu sogro, é o maior!!! 

E de seguida a vida continuou, com sorrisos e pizzas na varanda, que isso de gastar tempo com quem não interessa é coisa do passado. É uma questão de atitude, de ajustar as nossas próprias expectativas. Antigamente EU queria perceber o porquê da minha sogra andar sempre a falar de nós, EU queria que ela parasse. Mas EU não posso mudar os outros, só me posso mudar a mim. E foi o que fiz. A minha sogra vai falar mal de nós eternamente, ela sempre foi e vai continuar a ser má, a diferença é que agora EU me estou nas tintas para isso.

As autoras:

Arquivo: