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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Quando o desfasado da intenção supera a intenção

[Obrigada pelas mensagens, pelo apoio, pelo carinho - virtual ou não, chega cá, arrepia na pele e faz derreter o coração]

 

Já não íamos a Portugal ía para 2 anos. Fui com as moças, um mês inteirinho, tantos dias quantos os que havia de férias escolares (aqui é mesmo só o Agosto, a escola começa no primeiro dia útil de Setembro). O Coiso ficou por cá mais uns dias e só se juntou a nós nos últimos 12 dias.

Planos para ver a Sogra eram nenhuns, principalmente enquanto o Coiso não estivesse conosco.
Não sei quem lhe disse o dia e a hora, não faço ideia quantos olhos de dragão, quantas osgas e asas de morcego a senhora conseguiu colocar no seu caldeirão. O facto é que alguém se descaíu no feitiço e ela soube a que horas estar à nossa espera no aeroporto de Lisboa.

Saímos da porta, descemos a rampa, vi o mundaréu de amigos mais chegados ali com os sorrisos abertos e olhos vidrados pela saudade, meus e das moças e lá bem no meio, como que liderando o bando, a dita cuja.

Dita cuja que, no meu dicionário - naquele momento, seria qualquer coisa como "a bruxa vestida de negro e olhos assustadores, com aquele chapéu à anos 20 absurdo (eram 23 horas) e sapatos ponteagudos". Léxico definido, adiante.

- Oh Coisa, pah! Há tanto tempo! Onde está o meu filho?!? [Não, não estou a narrar no anonimato. Ela chamou-me mesmo coisa. 25 anos depois, eu ainda sou Coisa]

Deve-se ter esquecido de colocar rabos de lagarto na poção que o feitiço não ficou lá muito bom e quem se descaíu se esqueceu de lhe dizer o pormenor de que o filho ía mais tarde.

Trazia prendas para as 3 netas e para mim.

Para a mais velha, cujo nome começou por dizer "a minha netinha mais velha, que se chama como a minha querida falecida mãe, ah ... anda cá", boa memória, portanto, [não me venham com coisas que a senhora até sabe os 21 dígitos do seu NIB de cor] trouxe uma pasta do Noddy. Não é que a miúda tenha 16 anos, nem nada.
Para a do meio (bem, "minha netinha do meio" é fácil dizer), trouxe... uma pasta do Noddy. 14 anos? Não, claro que a miúda adora o Noddy, até está a pensar levar uma T-shirt do Noddy para o próximo concerto dos One Direction e tudo.
Para a "netinha mais pequenina", pois... que foi a bela da pasta do Noddy. Se calhar aos 8 anos ainda se gosta do Noddy, não fosse a minha moça um bocadinho nerd e gostar mesmo é de coisas do espaço, astronautas, planetas, naves espaciais e fazer Lego.

Tentei relevar a coisa e ainda que desfasada no tempo, achar que a intenção era boa. Totalmente despropositada mas boa.

E depois abri a minha, enrolada (sim, enrolada) em papel de folheto do Lidl. E pronto. Está bem.

Não me lembro bem se a deixei esquecida no hotel ou se terei mesmo intencionalmente jogado fora. Uma das duas foi.

É que não cheguei a achar muita piada ao avental de poliéster duvidoso com o print de uma porca. Sim, uma porca. Não era fofinha nem cor de rosa nem nada. Era uma foto de uma porca. Assim, tal e qual. Uma porca no meio da lama. Pronto...

Mensagem recebida, querida Sogra! 

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