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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Ó Coisa, a minha sogra não era sovina comá tua!

Eu não posso dizer que a minha sogra fosse sovina. Na verdade acho até o oposto, porque efectivamente deu-nos dinheiro, algum até, embora saiba hoje que grande parte não lhe saiu do bolso. Também dava prendas, mas isso merece um post próprio, daqueles para chorar a rir.

 

A última "boa acção", no tempo em que ainda a aturávamos, terá sido talvez pagar a formação que especializou o Homem, mas tendo em conta que se esteve literalmente nas tintas para a educação do filho a vida toda, não fez mais que a obrigação dela. Se lhe perguntarem, o filho deve-lhe provavelmente tudo na vida, e só terá o cargo que tem (que ela nem sabe qual é) por causa dos cheques que lhe saíram da conta. O resto não interessa para nada. As minhas horas e as palavras de incentivo, os jantares na mesa às 11 da noite, e principalmente a dedicação dele, as horas passadas a estudar a par com um trabalho a tempo inteiro isso não vale. Não, nada disso conta, só os euros.

 

E apesar do problema nunca ter sido ser sovina, tudo o que dali vinha, vinha sempre com mais qualquer coisa, com um um sentimento pesado, com um contentor de culpa atrelado, como se se tratasse de uma caridade sofrida, de uma partilha forçada. Tudo o que alguma vez veio da minha sogra veio com uma segunda intenção, mais que não fosse, a intenção dela se poder gabar de nos "sustentar". 

 

Cá para mim pode gabar-se do que quiser, será mentira como de costume, mas eu, no lugar dela teria vergonha. Sem dúvida que o Homem não pode negar que foi a mãe que lhe pagou a formação, ou que o ajudou algumas vezes quando faltavam fundos, mas não foi/é assim com tanta gente? Eu teria vergonha, porque pagar/dar o que quer que seja não evita que o Homem diga ao filho pequeno quando está doente para comer a canja porque quando era pequeno e estava doente também era o que as freiras lhe davam, as freiras, não a mãe. Nunca a mãe. Tempo, amor e dedicação, memórias felizes, isso, querida sogra, não há dinheiro que pague nem gabarolice que torne real. 

 

A sogra da Coisa era do tipo "Dei uma banana das minhas à menina, não te esqueças de deixar ai os 50 cêntimos!", a minha era mais do género "Ai vizinha/tia/prima/pessoa-desconhecida-no-meio-da-rua, já viu, estou aqui cheia de fome e dei uma banana à menina. Não se esqueçam NUNCA que fui eu que dei a banana à menina! Ok?!!". Entre uma e a outra venha o diabo e escolha. 

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