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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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História d' A Coisa

Eu até a modos que gosto do meu nome. Aquele que os meus irmãos escolheram, quando nasci.

Na verdade, durante muito tempo acreditava que um dia ia ter uma filha com o mesmo nome. Tenho 3 moças. Mas nenhuma se chama assim. Afinal, dar um nome a uma criança não é pêra doce e tem muito que se lhe diga.

Por isso é que ainda dou mais valor ao meu nome: olha que fantástico terem acertado logo com um que eu até gosto [bastante].

Não é que seja sonante, inspirado nas novelas (como tantas de nós que nascemos na era da Gabriela, Cravo e Canela, a primeira novela da Globo na RTP), ou até que vá buscar a alguma santa (que nunca fui). Mas é um nome giro, pah. E eu gosto dele. E irrita-me solenemente que, para a Sogra, eu seja: A Coisa.

 

Já namorava com O Coiso (estavam à espera de quê? O Coiso é o marido d'A Coisa) há quase um ano quando a conheci. Embora já tenham passado 22 anos, lembro-me como se fosse hoje. Tal foi a agradável sensação de ser bem vinda.

 

O Coiso não vivia com a mãe e por ser altura da Páscoa, resolveu ir lá almoçar num sábado e lembrou-se de me levar. Claro que fui submetida pelo crivo duplo de uma pré-Sogra mais o olhar assustador da "diz-que-é-a-melhor-amiga" da senhora.

 

Na escola secundária andava a estudar o KGB e acredito que, deveria ser mais ou menos aquilo pelo que estava a passar, que os historiadores se referiam aos interrogatórios de tortura do tal KGB. Não foi um almoço de sábado. Foi uma armadilha bem montada em que com o engodo da comida, distraíram O Coiso e me apanharam na curva.

 

Eu, miúda inteligente, voluntária na comunidade e sobejamente conhecida lá na minha parvalheira pequenina, sempre de resposta na ponta da língua (e que língua assaz!), vi-me rodeada de meias palavras, silêncios convulsivos e ataques de dormência no meu cérebro. Não consegui reagir a tanta arma apontada e virei idiota com o tipo de perguntas. Recordo-me de ter ficado ligeiramente aparvalhada com a pergunta "ó Coisa! E se o meu filho não quiser estar mais contigo, vais fazer o quê? Vais à Polícia?" - vira-se para o filho, joga as mãos à cabeça, ar aterrador de pânico e quase aos berros, avisa o filho do perigo eminente - "SIM!!! Ai que ela vai à Polícia e manda-te preso!!! Porque ela é menor e vai dizer que a violaste!! Ai meu querido filho! Tu deixa-a da mão, tu arranja uma mulher da tua idade!!"

Eu tinha 15 anos. Ele tinha 19.

 

Desse dia em diante, nasci para o mundo como A Coisa. "Óh Coisa!" é a forma mais comum de se dirigir-me. Já passaram 22 anos. Casámos há 17. Temos 3 moças. E não adianta corrigir. Vai sempre dar ao mesmo. Coisa.

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