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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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O marido da sogra que era o pai da nora ou o sogro que também era padrasto. [Parte III]

Eu sabia que havia uma boa razão para ainda não ter acabado de contar a história do marido nº 3. Qualquer coisa no ar dizia-me que ainda não era tempo, que devia esperar... Bem dito, bem feito. Vocês, pessoas desse lado, nem vos passa pela cabeça!

Pois então que é hoje.

Para o caso de quererem lembrar o assunto, está AQUI a história do marido nº1 e AQUI a do marido nº2.

 

Logo ao principio e depois de recuperar do choque que foi saber que o meu pai andava metido com a minha sogra, confesso que até achei piada à ideia. Mas isso foi há muito tempo, quando eu ainda não tinha visto as "true colors" da senhora, bem, e do meu pai também, para ser sincera. Com o tempo, foi-se tudo tornando num inferno, numa situação dificilíssima de gerir, uma realidade alternativa que me tirou muitas horas de sono e quase me levou à loucura, para já não falar do teste que foi para a minha relação com o Homem.

Depois da revelação e da mudança em 3 horas, ao final do dia, a minha sogra e o meu pai estavam num avião com destino a outro pais europeu. O plano era arranjarem um trabalho e começarem uma vida nova, tudo muito lindo e cheio de flores cor-de-rosa e passarinhos a cantar. Lembro-me que ainda estiveram umas semanas à procura e por fim lá encontraram o que queriam. Os dias foram correndo, transformaram-se em semanas e depois em meses e nessa altura ainda estava tudo pacifico.

No Verão seguinte fomos todos de férias e nos entretantos começou a sentir-se tensão, como o episódio que já aqui contei em que ela me passou a roupa toda mal só para chatear. Mas a coisa ia passando, porque como não estávamos juntos muitas vezes, diluía-se no tempo. Piorou definitivamente quando fiquei grávida da Miúda, acho que a senhora realizou finalmente que eu não ia a lado nenhum e não gostou da ideia. 

No entretanto sogra e marido nº3 iam mudando de emprego como quem troca de cuecas. A desculpa era que ganhavam mais, mas a verdade era outra, a verdade é que ela arranjava problemas e desavenças em todos os sítios por ponde passava. Cada mudança gerava chatices e claro, perante os conflitos, cada um deles queria que os respectivos filhos (nós) lhes tomássemos as dores. E depois a falta de noção, quando se apanhavam sozinhos connosco, ele dizia mal dela e ela dizia mal dele, sem sequer pensarem que estava a falar de um dos pais da outra pessoa. Era insuportável. Era horrível. Dava-me cabo dos nervos. 

No entretanto o anos foram passando, com períodos mais calmos e outros mais tensos, tanto na relação deles como na relação deles connosco. Nos períodos bons compravam carros e viajavam, nos maus eram queixas sem fim e planos para fugir. Uma novela.

Nós cortamos relações com ela quando eles ainda viviam juntos. Nesse ultimo verão, tinha o Miúdo dois anos, ela foi para Portugal sozinha e nós fomos de férias para o apartamento deles, para terem noção da mente distorcida de pessoa, quando lá chegámos, todos os armários estavam fechados á chave, não fossemos nós roubar alguma coisa. No Outono seguinte, um dia, depois de acabar o serviço, a sogra pegou nas coisas dela e foi-se embora. O meu pai teve de explicar aos patrões o que tinha acontecido e para ele não ficar sem emprego, enfiei-me eu num avião para ir substitui-la. Meses mais tarde fui acusada de ter feito de propósito, que ela já sabia que eu estava à espera para lhe roubar o lugar. 

Quanto á relação (ou deverei dizer ralação) deles, não sei como ficou. Na altura havia uma casa para vender e mais uns tantos pendentes, mas a verdade é pouco mais de ano depois, quando de lhe pedirmos para parar de nos mentir, foi o mau pai que cortou relações connosco, alegando que, e cito: "deixou de fumar de um dia para o outro por isso também deixa de nos falar da mesma maneira". 

Isto aconteceu em 2010. 2015 está ao virar da esquina.

 

Foi quase uma década de sofrimento. Depois de ponderarmos os prós e contras, decidimos que devíamos deixar as coisas como estavam, que feliz ou infelizmente, a nossa vida ia melhorando a todos os dias que nos afastávamos. Se ao inicio custou, hoje tenho a certeza absoluta que foi a melhor coisa que nos aconteceu, que é preferível estarmos sós que mal acompanhados, que a vida dos trouxe outras pessoas, que os meus filhos só terem um par de avós não é nenhum drama. 

De vez em quando chegam-nos informações sobre a sogra e também sobre o meu pai, não as procuramos, mas há sempre quem nos faça conversa de circunstância. Outro dia soubemos de uma novidade que nos fez rir até mais não, mas lá está, podia até nem ser verdade, que esta gente gosta de inventar. Umas semanas depois, outra pessoa, em nada relacionada com a primeira, contou o mesmo. Cá para mim ainda pode ser invenção, mas olha, conto-vos na mesma. Querem uma prova em como a estupidez humana não tem limites? Passados 4 anos e uma data de insultos depois, parece que a sogra e o marido nº3, a.k.a. dad... Estão juntos outra vez! 

Diplomacia - Respostas... vá... úteis

Hoje resolvi partilhar convosco umas respostas diplomáticas, educadas mas muito convenientes. Se servir para alguma coisa, que seja para vos dar um belo sorriso - mesmo que mental - quando vêem/ouvem a Vossa Sogra.

Ora aqui vão uns pontinhos:

 

A Sogra diz: Olha lá, esta casa parece um pardieiro. Há tralha por todo o lado. Não tens vergonha??

- Vergonha não tenho. Mas tenho muita paciência em dar ao meu marido um lar aproximado ao que sempre teve.

 

A Sogra diz: O meu filhinho gosta é da comidinha da mãe. Ninguém faz empadão de atum como o meu.

- Ah, está explicado! Agora percebo porque o marido me diz que odeia atum.

 

A Sogra diz: Tanta roupa por passar! Vê lá... se quiseres, posso cá vir passar a ferro.

- Obrigada mas o meu marido gosta da roupa muito bem passada.

 

A Sogra diz: A criancinha está muito magrinha, não tratas bem da alimentação dela!

- É suposto alimentá-la? Oh, pensava que crescia por fotossíntese.

 

A Sogra diz: No meu tempo, a mulher não andava cá atrás do homem para ele ajudar nas tarefas da casa ao fim de semana, eles iam à sua vida! Isto agora, as mulheres são umas preguiçosas.

- No seu tempo havia dois tipos de mulheres, não era? As que limpavam a casa sem piar e as que recebiam os maridos das outras. Ainda bem que já não estamos no seu tempo!

 

A Sogra diz: E qual é o problema de dar um bolinho à criança agora? Até parece que fiz alguma coisa de mal.

- Não tem problema nenhum em dar um bolo antes da refeição. Aliás, é uma excelente ideia para quando formos almoçar a sua casa. Assim, já vai de barriga aconchegada e não precisa comer a sua... "comida".

 

A Sogra diz: Quando o meu filhinho era pequenino eu não o deixava cá preocupar-se com arrumar as coisas. A criança precisa é de brincar!

- Está a ver porque é que está tudo espalhado? Porque o seu filho continua a gostar de ver a casa assim, desde pequenino.

 

E para finalizar, a célebre frase da Sogra que parece estar em constante TPM, sempre dita aos outros: Pois! A mulher do meu filho esquece-se que ele tem mãe, não o deixa vir visitar-me!

- É verdade. Sempre que ele fica amnésico e decide ir vê-la eu vou imediatamente buscar a corda, amarro-o à mesa da cozinha, amarro as mãos uma à outra e preparo o chicote, caso queira se mexer dali. Educou-o muito bem, sabia? É muito obediente e faz tudo, tudo, o que lhe ordeno.

 

Sempre com muita educação, tom calmo e compassado e, o mais importante: um sorriso na cara. Ironia? Não. Sobrevivência.

Eu sou uma fingida, sabiam?

Eu gostava muito de fazer um post só com coisas cor-de-rosa e bonitas da minha Sogra. Falando da relação dela connosco, claro está. Mas dei aqui voltas e voltas e não me consigo assim lembrar de nada. Nada mesmo. E isso faz-me muita confusão. Eu não sou pessoa de guardar nem ressentimentos nem más recordações. Mesmo as atitudes menos simpáticas que alguma vez na vida me foram dirigidas, olho para elas com alguma dose de contentamento por as ter superado e apenas o sentimento de que alguma coisa de bom aprendi com isso. São apenas memórias, não são raivas ou tristezas.

 

Isto leva-me a tocar aqui um ponto interessante: superar o mau feitio e aprender com isso.

Que a fera não nutre grande carinho por mim já todos nós sabemos. Que tanto lhe faz que eu seja azul ou amarelo, também. Mas há coisas que a senhora podia baixar a guarda, tal como a condição humana nos ensina e nos leva a colocar de lado determinados sentimentos para ajudar o próximo. Como eu fiz, algures em 1999, com uma bebé pequena e gravidíssima da segunda e muito pouco fã da Sogra. Foi por esta altura do ano, recordo-me de ser uma noite muito chuvosa e de receber o telefonema do hospital a informar que a Senhora estava internada com um episódio de tensão arterial perigosamente elevado e que precisava que alguém lá fosse para dar os dados (ela não estava lúcida) e mais tarde levá-la para casa.

3 Filhos. Nenhum quis ir. Ninguém quis fazer o frete nem depois ter a responsabilidade de cuidar dela. "O marido que o faça" foram as respostas das filhas. "Ela sabe que não pode abusar e abusa [do sal/comida]", a justificação.   

Fui eu. E fiz o que seria suposto uma filha fazer. E acarinhei, dei banho, fiz comida, deixei a casa organizada, preparei o almoço para o sogro levar para o trabalho no dia seguinte. E quando se recompôs, fingi que ouvi um "obrigada" na minha cabeça, já que da boca dela, foi mais um "usaste os tupperwares que são difíceis de abrir". E segui com a minha vida, que eu não faço anda à espera de olhar para o retorno.

 

Em 2007 tive um AVC. Não importou nada que a única família perto fosse a Sogra, não ouvi dela um ai. Minto. Ouvi um raspanete: porque é que tinha ido deixar a bebé na creche (a terceira tinha meses) se não me sentia bem? O perigo! Podia ter morto a menina num acidente de carro! Sim, que eu sabia que aquela enxaqueca ia virar AVC. Eu adivinhava que aquela enxaqueca igual às dezenas de outras que costumava ter, ia mandar-me ao chão, no segundo a seguir a deixar a menina nos braços da auxiliar da creche.

Enfim, nos 3 meses seguintes, o Coiso ouviu dizer que eu estava a fingir. A fingir a lentidão de movimentos, a falta de acuidade na fala e visão e inclusive a falta de destreza e mobilidade. Eu era uma preguiçosa e uma fingida. E coitadinho do filhinho que tinha o trabalho todo em cima dele. Fora de questão ela ir lá a casa ajudar, que não se ajudam preguiçosas.

A vida continuou, eu saí mais forte desta história toda e nem quando a vida resolveu deitar-me abaixo de novo, quis cá saber de maus feitios.

Este Verão, num jantar atribulado e muito pouco normal (fica para outro post, prometo!), o Coiso decidiu dizer-lhe (justificando algo) que eu estava a passar um mau bocado porque me foi diagnosticada uma doença que -neste momento - é ainda incurável e é incapacitante. Foi matemático. Certinho como tudo: "e tens a certeza? Mas foste com ela ao médico ou ela está a fingir e a mentir-te para teres pena dela? Tens a certeza que isso não é só desculpas para fazer só o que quer?"

A resposta do Coiso não é concordante com a moral e bons costumes que pautam este nosso blog, logo, não a posso reproduzir. A minha foi bem mais doce.

- D.Sogra,  desejo do fundo do coração que mantenha a sua saúde sempre boa e que nunca tenha que deitar uma lágrima de preocupação sobre ela. Que possa viver sempre com essa sua má-língua e veneno certeiro em boa saúde e continue a atazanar a vida de muita gente por muitos e bons anos. Já eu, quero mais é viver os aninhos que me restam com muita paz e sossego, por isso, desejo-lhe o melhor de sempre, bem longe de mim.

Só tenho pena de uma coisa: ter-me vindo embora sem comer a sobremesa. Estava mesmo fisgada para me deliciar com um pudim de claras e doce de ovos que lá havia no restaurante!  

Quando o desfasado da intenção supera a intenção

[Obrigada pelas mensagens, pelo apoio, pelo carinho - virtual ou não, chega cá, arrepia na pele e faz derreter o coração]

 

Já não íamos a Portugal ía para 2 anos. Fui com as moças, um mês inteirinho, tantos dias quantos os que havia de férias escolares (aqui é mesmo só o Agosto, a escola começa no primeiro dia útil de Setembro). O Coiso ficou por cá mais uns dias e só se juntou a nós nos últimos 12 dias.

Planos para ver a Sogra eram nenhuns, principalmente enquanto o Coiso não estivesse conosco.
Não sei quem lhe disse o dia e a hora, não faço ideia quantos olhos de dragão, quantas osgas e asas de morcego a senhora conseguiu colocar no seu caldeirão. O facto é que alguém se descaíu no feitiço e ela soube a que horas estar à nossa espera no aeroporto de Lisboa.

Saímos da porta, descemos a rampa, vi o mundaréu de amigos mais chegados ali com os sorrisos abertos e olhos vidrados pela saudade, meus e das moças e lá bem no meio, como que liderando o bando, a dita cuja.

Dita cuja que, no meu dicionário - naquele momento, seria qualquer coisa como "a bruxa vestida de negro e olhos assustadores, com aquele chapéu à anos 20 absurdo (eram 23 horas) e sapatos ponteagudos". Léxico definido, adiante.

- Oh Coisa, pah! Há tanto tempo! Onde está o meu filho?!? [Não, não estou a narrar no anonimato. Ela chamou-me mesmo coisa. 25 anos depois, eu ainda sou Coisa]

Deve-se ter esquecido de colocar rabos de lagarto na poção que o feitiço não ficou lá muito bom e quem se descaíu se esqueceu de lhe dizer o pormenor de que o filho ía mais tarde.

Trazia prendas para as 3 netas e para mim.

Para a mais velha, cujo nome começou por dizer "a minha netinha mais velha, que se chama como a minha querida falecida mãe, ah ... anda cá", boa memória, portanto, [não me venham com coisas que a senhora até sabe os 21 dígitos do seu NIB de cor] trouxe uma pasta do Noddy. Não é que a miúda tenha 16 anos, nem nada.
Para a do meio (bem, "minha netinha do meio" é fácil dizer), trouxe... uma pasta do Noddy. 14 anos? Não, claro que a miúda adora o Noddy, até está a pensar levar uma T-shirt do Noddy para o próximo concerto dos One Direction e tudo.
Para a "netinha mais pequenina", pois... que foi a bela da pasta do Noddy. Se calhar aos 8 anos ainda se gosta do Noddy, não fosse a minha moça um bocadinho nerd e gostar mesmo é de coisas do espaço, astronautas, planetas, naves espaciais e fazer Lego.

Tentei relevar a coisa e ainda que desfasada no tempo, achar que a intenção era boa. Totalmente despropositada mas boa.

E depois abri a minha, enrolada (sim, enrolada) em papel de folheto do Lidl. E pronto. Está bem.

Não me lembro bem se a deixei esquecida no hotel ou se terei mesmo intencionalmente jogado fora. Uma das duas foi.

É que não cheguei a achar muita piada ao avental de poliéster duvidoso com o print de uma porca. Sim, uma porca. Não era fofinha nem cor de rosa nem nada. Era uma foto de uma porca. Assim, tal e qual. Uma porca no meio da lama. Pronto...

Mensagem recebida, querida Sogra! 

Coisa e Criatura, como é que vai isso?

Todos os dias, na página do Facebook há pessoas que nos perguntam como estamos, onde andamos, porque desaparecemos.

Este post, escrito por uma de nós, mas com o coração das duas, é para todos os que estão ai desse lado, porque quem gasta o seu tempo connosco, merece uma resposta, merece atenção.

Na verdade, nós não desaparecemos, a vida é que foi acontecendo no entretanto. Veio a Primavera e depois o Verão, os dias compridos e as férias. Os miúdos mais tempo em casa e a precisar de mais atenção, a piscina e a praia e a vida lá fora. Depois os dias desencontrados, eu por aqui, a Coisa várias semanas com a família em Portugal, eu fora, a Coisa a regressar. E por fim o recomeço do final do Verão e as escolas e as actividades e a vida sempre a correr. E entretanto chegamos ao presente.

Gostava de vos dizer que foi só isso, que foi só a vida que se foi vivendo todos os dias, que o calor trouxe preguiça e as semanas se foram passando, mas infelizmente não foi só isso. A verdade é que a Coisa está doente. Um diagnóstico e tudo virado ao contrário, respostas impossíveis e processos necessários. A Coisa vai explicar tudo um destes dias, a seu tempo, no seu ritmo, vai inclusive contar-vos como é que a sogra reagiu à notícia da doença, mais um filme, como não poderia deixar de ser. Hoje, o que vos queríamos dizer é que este blog é escrito a 4 mãos e quando duas das mãos não têm disponibilidade para este diálogo, para esta sinergia, as outras duas também se deixam estar, esperando melhores dias.

A Coisa, que devo dizer-vos, é uma pessoa extraordinária, inspiradora e extremamente optimista, queria escrever qualquer coisa do género "A Coisa tem estado muito doente, será que foi praga da sogra?". Eu tenho um sentido de humor menos apurado e acredito que hoje devemos falar a sério. Hoje, porque boas energias nunca são de mais, queria pedir-vos que me ajudassem a celebrar a Coisa, o seu coração enorme e a sua capacidade infinita de sorrir. Hoje, queria pedir-vos comentários e likes, palavras simpáticas e abraços apertados, todos, todos para a Coisa, essa miúda gira que me entrou na vida e me tornou melhor. Digo-lhe muitas vezes que gosto muito dela, hoje digo mais uma, aqui, para toda a gente ouvir. Coisa, és a maior! 

Não desaparecemos portanto, estamos aqui, a gerir a vida e a tomar coragem para escrever mais. A Coisa tem um infinito de histórias para contar e eu também estou a dever umas quantas. Não fugimos, vamos voltando, aos bocadinhos. Pé ante pé. 

Obrigada por estarem e continuarem ai. <3

Mais do mesmo... Ou não!

Há sogras que tiram uma pessoa do sério, que enervam de tal forma, que passado um tempo a reacção à sua voz, ou à ideia da sua presença causa mal estar, mental e até físico. Eu era uma dessas pessoas, só a ideia da minha sogra telefonar ao filho transtornava-me. 

Esta é para as moças a quem as sogras ainda dão cabo dos nervos: há esperança.

Ontem o Homem chegou a casa e disse-me que tinha estado a falar com o pai (o marido número 1 da sogra). Não estando para aqui a divagar sobre a conversa, porque no fundo não interessa nada, diz que um dia destes, numa ocasião social, o meu sogro confrontou a ex-mulher e disse-lhe para ela parar de falar mal de nós a toda a gente. O relato foi acompanhado por uma breve descrição da reacção da minha estimada sogra.

Ora atentem...

No ido ano de 2009, por exemplo, a Criatura que vos escreve era pessoa para ficar com dores de estômago ao ouvir esta história. Depois, quando o cérebro assimilava a informação, aparecia a sensação de formigueiro debaixo da pele, a revolta pela injustiça de mais uma vez, esta mulher horrenda andar a falar de nós, a espalhar mentiras e a corroer-nos a vida. E o mau estar, a inquietação por não compreender, por não conseguir perceber o porquê deste ódio de estimação, desta necessidade patológica de destruir. E no final, pagava o justo pelo pecador, porque esta Criatura que vos escreve não é de ferro e acabava aos berros com quem não tinha nada a ver com o assunto, como o Homem, coitado, que só teve a má sorte de ter sido parido por uma mãe assim. E se pensam que isto era coisa que passava em horas, ou num dia vá, digo-vos já que não era. É que a seguir, a probabilidade da sogra telefonar com falinhas mansas e três toneladas de hipocrisia era alta. Era um ciclo vicioso, sempre o mesmo, sempre o mesmo, sempre o mesmo.

Em 2014, depois de anos de afastamento físico e muito crescimento pessoal, a reacção desta Criatura que vos escreve foi radicalmente diferente, ora sigam o meu raciocínio: a minha sogra anda a falar mal de nós, fixe, e mais novidades? Ah! A minha sogra, depois de para ai 5 anos sem nos por a vista em cima continua a falar mal de nós, puxa que é criativa, sempre gostava de saber onde é que ela vai buscar assunto... Espera, devia começar a jogar no Euromilhões, parece-me que tenho uma certa tendência para adivinhar o futuro, é que eu até já tinha previsto este cenário. Ups, mas e o mais importante, o mais importante não é isso... O meu sogro confrontou a minha sogra e a minha sogra passou-se, não que me tenham contado detalhes, mas a minha experiência no assunto faz-me logo ver o filme todo. O meu sogro confrontou a bruxa e a bruxa passou-se. Ahhh! Um granda hi-five para o meu sogro que a fez descabelar-se! All hail o meu sogro, é o maior!!! 

E de seguida a vida continuou, com sorrisos e pizzas na varanda, que isso de gastar tempo com quem não interessa é coisa do passado. É uma questão de atitude, de ajustar as nossas próprias expectativas. Antigamente EU queria perceber o porquê da minha sogra andar sempre a falar de nós, EU queria que ela parasse. Mas EU não posso mudar os outros, só me posso mudar a mim. E foi o que fiz. A minha sogra vai falar mal de nós eternamente, ela sempre foi e vai continuar a ser má, a diferença é que agora EU me estou nas tintas para isso.

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