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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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As férias com a sogra.

Fui de férias com a sogra duas vezes. 

Da primeira vez, ela e o meu pai estavam juntos há pouco tempo, eu era nova, não tinha filhos e ainda me descabelava em privado com as atrocidades da senhora. Fomos os quatro para um destino longínquo, com praias de mar azul e areia branca. Foi giro e embora não tivesse corrido na perfeição, nem foi mau de todo. Ela roubava éclairs de chocolate do buffet à hora do almoço para nós comermos (não que fosse preciso roubar, que aquilo era tudo incluído) e fazia as fitas do costume, que não queria assim e assado, que era tudo uma porcaria e coiso e tal, mas nós estávamos concentrados um no outro e na experiência em si e não lhe passamos grande cartão. 

Quero acreditar que o karma é lixado e que todos os pequenos incómodos que ela possa ter causados foram compensados pela experiencia capilar que viveu naqueles 10 dias. Ainda em Lisboa foi ao cabeleireiro fazer uma permanente e pintar umas madeixas de vermelho. Lá, depois de lavar o cabelo, as madeixas passaram a laranja debotado e os caracóis eram mais apertados que os do Marco Paulo nos anos 80, fazendo parecer que a senhora tinha um pequeno caniche multicolor na cabeça. 

Na segunda vez a miúda devia ter 3 anos, parece-me. Fomos acampar para Espanha. Começou logo bem pelo facto de nós detestarmos acampar... Depois foi a necessidade de comprar tendas e sacos camas e acessórios vários... E por fim houve a (maravilhosa) viagem de carro, com ela a bufar mais alto que uma chaleira ao lume.

 

 

As reclamações eram constantes, tudo estava mal, tudo era horrível, detestável, um horror. Se tivéssemos tido discernimento nem tínhamos ido, mas uma pessoa sabe lá. Escolher um sítio para montar a tenda foi o drama número um. O drama número dois foi efectivamente montar a tenda. O terceiro foi encher os colchões. O quarto arrumar as coisas. O quinto ir jantar fora. O sexto dormir. O sétimo acordar e ir à casa de banho. O oitavo fazer o pequeno-almoço. O nono... Já estão a ver não estão? 

O plano era ir uma semana, mas como já devem calcular, acho que lá ficamos dois dias. Ao segundo dia a má vontade já era tanta, que para o almoço fez uns ovos mexidos com salsichas que eram a coisa mais nojenta asquerosa que já vi, serviu-os nuns pratos gordurosos que metiam nojo deixavam muito a desejar ao nível da higiene e como se isso não bastasse, mandou um pontapé na mesa e foi tudo parar ao meio do chão. No auge dos ânimos exaltados eu fui pôr água a aquecer para fazer café e (porque a senhora não podia estar ao sol, o fogão teve de ser posto dentro da tenda) peguei fogo aquela merda toda. Foi épico, só vos digo. É-PI-CO

viagem de volta para Lisboa foi menos animada do que um velório. Sua excelência consegue sugar o bom humor a qualquer um, por mais que uma pessoa tente, é impossível aproveitar o que quer que seja ao pé dela. Lembro-me de estarmos a tirar as coisas do carro á porta de nossa casa e de ela fazer fita porque estávamos a levar os sacos cama para cima, principalmente o saco cama da miúda, que por acaso é daqueles de criança, pequenos e assim. 

Foi uma experiência... Surreal, vá.

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