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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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O segundo marido. [Parte II]

Não sei ao certo como é que a minha sogra conheceu o marido nº2. Eu achava que tinha qualquer coisa que ver com um apartamento que ela comprou depois do divórcio do marido nº1, mas o Homem diz que não, que se conheceram no "baile". Tirando o que eu própria vivi, toda a informação que tenho sobre o marido nº2 é dúbia. O relacionamento, que com toda a certeza, não terá chegado a uma década, passou-se durante o final da adolescência/início da idade adulta do Homem, daí a falta de detalhes.

Não faço ideia do que é que os terá juntado, mas tenho a minha teoria... E a minha teoria é que foi uma coisa que deu jeito. Ela, divorciada, abandonada e traída precisava de provar que também podia arranjar outro tipo, o ideal era ser um tipo com a vida estabelecida, dinheiro para gastos e que se embeiçasse por ela ao ponto de não olhar para o lado. No fundo, conseguiu isso tudo, mas não pelas razões que pensava. Ele, 25 anos mais velho (já possivelmente a meio dos 70's), pintou o melhor quadro que pode, acenou com as notas e com a casa grande em Lisboa e esperou que fosse o suficiente para ela vir atrás, afinal dava-lhe jeito alguém para tratar dele, com o bónus de ser uma mulher mais nova 25 anos, que ele podia passear à trela em vestidos de lantejoulas.

Depois da vizinha, do colégio interno, da tia, quando finalmente tinha voltado a viver com a mãe, lá foi outra vez o Homem recambiado para nova escola e nova casa. Diz que viveram juntos e depois casaram. Ela num vestido cor-de-rosa, assinaram os papéis no civil e deram uma festança à beira-rio. Diz que tinham uma vida pacata, iam ao baile e de férias para Espanha, ele ainda trabalhava e ela era a trophy-wife que tinha o jantar pronto a horas. Uma perfeição. Mas a perfeição era só aparente, porque rapidamente se percebeu que aquele marido 25 anos mais velho não era na realidade o que ela pensava ter comprado. Possessivo, controlador e ciumento, com falta de pachorra para aturar o miúdo que ela tinha trazido atrás, sem paciência para as frescuras dela, o príncipe transformou-se em sapo. Depois foi aguentar. Diz que houve cenas de pancadaria e arrufos vários, mas o Homem não viu nada. E eu também não.

Se se lembram, no primeiro post deste blog falei do marido nº2, vinha com ela, no dia em que a conheci. 

Nunca tive uma opinião concreta sobre o senhor, pouco contacto tive com ele, na verdade. Estive na casa onde viviam algumas vezes, passei lá uma véspera de Natal inclusive, mas acho que nunca trocamos grandes impressões. Hoje, tenho alguma pena dele. Acho que contas feitas ele tinha mau feitio mas era uma pessoa íntegra e não merecia o que ela lhe fez. 

Depois de ver que a coisa não era bem como ela pensava, a minha sogra jogou com as cartas que tinha. Mentir era-lhe natural e por isso foi fácil. Quando o marido estava, a minha sogra era a mulher perfeita, quando ele ia para o trabalho ela aproveitava para viver a vida dela, para ir onde ele não queria que ela fosse, para falar mal dele, para conhecer outras pessoas... Como o meu pai. 

Naquela época, eu e o Homem namorávamos e andávamos à procura de uma casa. Num laivo de inteligência que nos viria a custar anos de paz, resolvemos levá-los (a mãe dele, na altura casada e o meu pai, na altura já separado) connosco para dar uma opinião. Sim, fomos nós que os apresentamos, nesse momento épico que viria a alterar a realidade tal como a conhecíamos. Depois desse dia estivemos todos juntos algumas vezes (incluindo o marido nº2) mas nada nos faria prever que certo dia, à hora do almoço, num restaurante genérico da capital, nos iria ser comunicado que a minha sogra ia deixar o marido para se mudar para outro país com o meu pai. 

E quando vocês pensam que a coisa não podia ser pior, eu digo que podia, e que foi.

É que a ironia não estava perdida na minha sogra. O primeiro marido ter desaparecido, depois de dizer que ia só ali e já voltava, foi coisa de amadores, a minha querida sogra levou a coisa a um nível profissional. Ora vejam, acordou e fez as coisas normais até à hora do marido sair para o trabalho, depois, com o relógio a contar todos os minutinhos e ainda sem nada fora do sitio, abriu a porta aos senhores das mudanças e esvaziou a casa de tudo o que era dela e/ou lhe apeteceu. Para pôr a cereja no topo do bolo, levou a caderneta do banco e esvaziou-lhes a conta conjunta. Ao final do dia, o marido nº2, em vez de encontrar a mulher, encontrou uma notazinha a dizer adeus. O divórcio, uma data de tempo depois, foi assinado com uma procuração.

Amável a minha sogra, não é?

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