Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

As autoras:

Arquivo:

Não tenho feitio para ser o que não sou

E esta minha máxima serve para tudo. Para o bem e para o bem, que eu cá não sou de viver no mal.

 

O Coiso deu um mega sermão à irmã mas o leite já estava derramado. Entretanto, porque na nossa vida nada é como nos filmes e as legendas nem sempre são direitinhas e com a ortografia toda [politicamente] correcta, a Sogra não vem. Mas vem "a sogra número 2". Eu tenho duas. É inevitável aceitar esse facto.

 

São 83 anos de muita luta, de muita aspereza e com muita arrogância. Nem puxo o tópico da mania de ser a melhor. MAS... também são anos de final de vida, de arrependimento e de desculpas que foram pedidas a seu devido tempo, que desculpa tem sempre tempo infinito para se ouvir.

 

As minhas moças gostam desta bisavó. Conhecem-lhe a história e sabem que em tempos foi pessoa que não fez parte da família e que o Pai não se lhe permitia nem a referência. Mas sabem também que esta bisavó correu o mundo para recuperar o neto e tentar ser parte da sua vida. E eu tenho que aceitar. Independentemente de estar perdoado mas não esquecido.

 

O que me espera? Uma mistura de carinho com alguém que nunca vai perder a habilidade de ser falsa, de ser acusatória e de ter bipolaridade no que concerne à minha pessoa. Daquelas que está tudo muito bem mas que na confidência com os outros, há sempre uma crítica, uma malícia.

 

Se vale a pena quebrar o meu sossego? Deixem-me colocar a questão de outra forma: Eu não sei ser o que não sou. E não sou rancorosa. E também não sou má. E já passei muito na vida, já antevi muitas vezes o fim da linha e já segurei nos braços muitas vezes finais de linha de quem nem teve tempo de reconsiderar.

Não concorro ao prémio "Pessoa do Ano", e muito menos faço questão de palmilhar a passadeira vermelha dos "É uma pessoa de bem Awards". Mas sou eu: aceito que as pessoas se esforcem para mudar, para gostar, para recuperar uma vida familiar. Gosto de acreditar que consigo ver e fazer sobressair o que de bom possa-lhes assistir dentro de um coração de pedra e fazer disso o suficiente para dar-lhes novas oportunidades.

Não me iria sossegar o negar tempo de vida com a família, a esta pessoa que, afinal, as moças até estimam. E eu também, às vezes. Quando a bipolaridade da sua forma de ser me aceita como sou.

 

Um dia conto-vos as maldades desta sogra 2. E também a reviravolta que foi no dia que a confrontei por a + b e lhe demonstrei que na minha vida familiar, não se brinca. No porquê da ausência dela na nossa vida durante 8 anos, conhecendo as bisnetas já elas sabiam ler e escrever.

 

Para já, respiro fundo e aceito. Tenho muito mais em que pensar do que no sentimento de quase incómodo que sei que sentirei. Por agora, reviro os olhos mas sigo em frente. Hei-de ter paciência.

E sabem que mais, hei-de ter muito que contar. Ainda são 15 dias e muito braço de ferro pela frente.

 

Seja.    

 

PS - Sabiam que esta Sogra 2 é Sogra da Sogra? Muito bom... Elas têm uma picardia uma com a outra, digna de ser relatada!

As autoras:

Arquivo: