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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Teorias da conspiração.

Como já se deve ter percebido, nós não nos damos com a minha sogra. Foi uma escolha nossa e foi a escolha acertada, aumentou o nosso nível de paz em 500% e permitiu-nos ver a realidade com mais clareza. Depois do episódio que estabeleceu o nosso limite de paciência, as comunicações foram abrandando até que a um certo ponto cessaram por completo. Durante algum tempo ainda houve comunicação indirecta, mas também isso acabou à medida que nos tornamos cada vez mais selectivos na escolha das pessoas com quem partilhamos a vida. 

A linha estava muda há imenso tempo, quando no dia de natal do ano passado (recordar que a minha sogra odeia o natal) o Homem recebe um mail da irmã (a minha querida cunhada cutxi-cutxi, gosto tanto dela pá!!!) a mandá-lo ligar para a mãe, que ela estava muito triste porque não sabia nada dele. Noutros tempos esta mensagem teria causado distúrbios na nossa paz, mas desta vez não, depois de 5 minutos de conversa sobre a distinta lata de (provocatoriamente) enviarem o e-mail no dia de natal e não em nenhum dos outros dias do ano, incluído aniversários do Homem e dos miúdos, foi só fazer delete e o assunto ficou resolvido. É que ao comum dos mortais, um pedido de contacto num dia de festa normalmente celebrado em família, pode apelar ao bom coração e tal, mas depois de todas as contas feitas, já não há bom coração para apelar, o bom coração está protegido por um filtro anti-provocação e anti-falsidade e anti-bullshit.

Passado uns tempos foi uma mensagem no Facebook do Homem, enviada pela (ou da conta da) sobrinha mais velha (filha da minha querida cunhada cutxi-cutxi, esse amor de pessoa!) a dizer qualquer coisa como "Querido tio, finalmente encontrei-te no Facebook! Tenho tantas saudades tuas!", num tom não impróprio para a idade/personalidade da mocinha que a falsidade era quase palpável. É que no Facebook nem vale a pena, a sério que não, até podem tentar, mas só acrescentam mais uma linha à lista de perfis bloqueados, mais vale gastarem o tempo a ir beber uma bica ao café da esquina.

Depois foi a tia. A tia (pela qual eu ainda tenho alguma consideração, apesar de a achar autocentrada a um nível altamente irritante) liga ao Homem para aí duas vezes por ano, no aniversário e no natal. Durante as chamadas (que são sempre à pressa) só costuma falar dos filhos e marido e contenta-se com a pouca informação que o Homem lhe transmite. Se o Homem calha a não lhe atender, a chamada passa para a época festiva seguinte. Desta última vez, porém, continuou a insistir até conseguir falar com ele. E para além da insistência atípica, também mudou o discurso, mencionando pela primeira vez o facto do Homem não se dar com a mãe, dizendo que Ah e tal, a tia só quer saber de ti e podes contar tudo da tua vida à tia que a tia não vai dizer nada à tua mãe, frase que obvia e claramente quer dizer o oposto e que nos põe já de sobreaviso.

E ontem foi outra. A mulher do primo (filho da tia de que falo no parágrafo anterior) e que pouca interacção tem connosco desde que nos mudamos para o estrangeiro, ontem lembrou-se que nos queria vir visitar em Junho. Embora atribua a manifestação desde desejo à falta de noção e aos altos níveis de parvoíce (e lata) da alminha em causa, a forma directa como abordou o assunto e a rapidez com que se despediu depois de saber que não tinha sorte nenhuma, fazem-me questionar se não seria uma típica tentativa de tirar nabos da púcara, ou a pedido da minha sogra (até já a estou a vê-a a pagar-lhes os bilhetes) ou quiçá a pedido da minha querida cunhada, essa alma tão caridosa, que depois de ter andado a espalhar a toda a gente que a mocinha era uma parvinha-sem-sal porque o namorado (primo - filho da tia de que falo no parágrafo anterior) andava sempre metido com outras e ela não fazia nada, ah e tal até parece que gosta, não hesitou em ir arranjá-la no dia do casamento cheia de sorrisinhos e palmadinhas nas costas. Chamar-lhe capra aegagrus era pouco. 

Tudo isto me passa ao lado, já lá vai o tempo em gastava minutos preciosos a analisar estas mesquinhices, estas tentativas de saber mais qualquer coisa, estas provas irrefutáveis da vida pequenina e desocupada desta gente... A única coisa que me aborrece é que não desistem e bolas, já podiam desistir.

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