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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Começar pelo princípio. [Parte I]

Pronto, já toda a gente sabe: durante uma data de anos, a minha sogra viveu com o meu pai. Brutal, não é? 

Acho que as histórias se devem começar pelo início e por isso vou voltar atrás no tempo até chegar ao momento em que a magia (NOT!) aconteceu... À laia de disclaimer devo já dizer-vos, que se há coisa que aprendi nos anos de convivência com a família do meu marido é que nada do que qualquer um deles conta é completamente verdade, há sempre versões diferentes, algumas contraditórias, umas mais simples e outras mais complexas, sim, porque toda a gente conta tudo a toda a gente nessa velha tradição que é a coscuvilhice. O que vos vou descrever é a minha versão do que ouvi de várias bocas ao longo de vários anos e tanto pode ser a verdade absoluta como uma realidade alternativa, não sei, estou a vender o peixe como o comprei, um bocadinho mais arranjadinho talvez.

 

O marido nº1 da minha sogra foi o pai do Homem. O pai do Homem, e isso posso afirmar pelo que tenho visto na última década, não é homem para casamentos. É assim um tipo solitário que acha que tem pinta de galã e que com os seus moves engata as gajas todas. Este é o modus operandis do meu sogro: conhece mulher, engata mulher, envolve-se com mulher, eventualmente casa-se com mulher e quando as coisas começam a ficar rotineiras e/ou mais complexas, divorcia-se da mulher e começa o processo de novo. O meu sogro é um tipo fixe, tirando a falta de interesse pelo filho (e netos) e a mania de cravar dinheiro, não tenho nada a apontar-lhe, devo até dizer, que depois da minha querida sogra ter andado a dizer mal de mim a toda a gente, foi o único que me pediu desculpa por ter acreditado nela. A verdade é que eu até tenho um bocado pena do meu sogro, a sério, aturar a alminha tanto ano deve ter sido obra.

 

Mas voltando ao princípio, conta a lenda que ele não se queria casar, mas que como a minha sogra estava grávida do filho mais velho (o Homem é o mais novo) lá se casou, num episódio qualquer que envolveu irem-no buscar à tropa ou coisa parecida. Depois havia a história de na noite de núpcias, ele a ter fechado em casa para ir para o baile ter com outras mulheres (acho que esta só ouvi uma vez), o que a ser verdade marca um brilhante começo para o casamento e confirma a falta de potencial da coisa. Contas feitas, lá começaram a vida e como tanta gente, não foi fácil. Sei que emigraram, primeiro para outro continente e mais tarde dentro da Europa, que mudaram várias vezes de casa e de trabalho e que entretanto foram nascendo os filhos, 3 no total. Os relatos de infidelidades sempre foram uma constante mas a minha sogra não desistia de querer mudar o marido, enfiou na cabeça que aquele tipo era dela e de mais ninguém, vai daí, quando ele saiu para procurar trabalho fora do país, apesar não ser o que estava planeado, resolveu ir atrás dele, não fosse ele meter-se com um rabo se saias. É aqui que começa uma das histórias que mais me impressiona (principalmente porque sou mãe e para mim isto é inimaginável) e que revela muito do carácter da minha sogra: o Homem era muito pequeno na altura e ainda havia os dois mais velhos para ter em conta, era impossível ir atrás do marido e levá-los com ela, então o que é que ela se lembrou? Pegou nos 3 filhos e deixou-os na casa da vizinha (que mal conhecia, pelo que ouvi). Atenção, que não os deixou na vizinha 3 ou 4 dias, deixou-os na vizinha o tempo necessário para ter condições de os levar para onde ela e o marido estavam. Foi assim que, algum tempo mais tarde (não sei precisar quanto) os mais velhos acabaram a trabalhar (ainda que não tivessem idade para isso) e o Homem foi para a um colégio interno de onde só saía ao Domingo (mas que hoje acredito ter sido das melhores coisas que lhe aconteceu).

 

Resumindo muito resumidamente, a vida continuou no mesmo esquema, os filhos foram crescendo, aconteceu o tal acidente (que envolveu a sogra e o sogro também) e que fez com que o Homem fosse mandado para casa de uns tios com quem viveu uma data de anos (e que foi outra das melhores coisas que lhe aconteceu), mais histórias de faca e alguidar e tipas de cinto de ligas e certo dia regressam a Portugal (para ficar), até que num Natal qualquer se dá a típica cena do "vou ali comprar tabaco e já venho" em que o meu sogro debanda para parte incerta. 

 

O resultado disto tudo foi um divórcio difícil de concretizar. Entretanto, na parte incerta, o meu sogro teve outro filho e foi gastando o dinheiro que levou com ele (dinheiro esse que a minha sogra dizia que era dela) e a minha sogra estabeleceu-se como a eterna vítima, que com filhos já casados e um adolescente, depois de anos e anos e de um acidente que lhe causou tantos problemas de saúde, foi largada no dia de Natal pelo marido que lhe deu o golpe do baú. O meu sogro foi difamado como o vilão e toda a gente foi formatada para dizer que o Natal era o pior dia do ano, sendo até muito comum em anos seguintes, a minha sogra ter achaques nessa época. Para resolver tinham ainda a história de uma vivenda qualquer que já estava meio comprada e que depois de mais umas quantas voltas foi muito útil para a minha sogra conhecer o marido nº2, mas bem, isso fica para outro dia, sim?

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