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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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O vestido e as bolachas.

Aqui há uns dias perguntei no Facebook se deveria contar primeiro o episódio do vestido ou a história das bolachas, só que entretanto meteram-se as férias dos miúdos, chegaram amigos para passar uns dias connosco e os caracteres ficaram pendentes. As minhas sinceras desculpas. Contando os comentários, ganhou claramente a história do vestido, embora deva já desiludir-vos dizendo que não envolve vestidos de noiva, mas sim um vulgar vestido de praia. Não entrando muito no assunto, porque implica falar do tema reservado para os 2500 likes, posso dizer que (por escolha própria) me casei de ténis e calças de ganga, só com os nossos dois filhos presentes, vestidos de noiva são coisa que não me assiste.

 

À laia de compensação pela espera, conto-vos já as duas histórias. Não são grandes histórias na verdade, mas são dois exemplos perfeitos da forma como a minha sogra me tratava. E embora sejam coisas quase irrelevantes isoladas, juntas e somadas a todas as outras confirmam a realidade: a minha sogra é uma pessoa horrível, não só para mim como também para os próprios filhos.

 

NOTA: No momento destes dois episódios (que aconteceram em alturas distintas) é preciso frisar que a minha sogra vivia noutro país mas que viajava para Portugal diversas vezes por ano.

 

"O VESTIDO”
A minha sogra nunca me ofereceu nada de jeito. A descrição das prendas da minha sogra dará um belíssimo texto que pretendo escrever um dia destes, é no entanto importante esclarecer que era sempre tudo tipo mono, especial ênfase para roupa XXL e utensílios de cozinha de gosto duvidoso, maioritariamente coisas que lhe davam e que ela não queria.


Certo dia, numas das visítas da sogra e durante uma volta qualquer num centro comercial, entramos numa loja dessas que vende coisas de surf e assim. Estava eu e o Homem, ela e o marido nº3, a minha rica cunhada e os filhos, acho. Pois que andavamos a ver o que por ali havia quando ela se prontifica a comprar-me um vestido de praia giro e sobrevalorizado, de uma marca da moda, que na altura não me cabia na carteira. Naquela época ainda viviamos em negação tentanto manter uma certa normalidade na nossa vida familiar e ignoranto todas as red flags fiquei contente com a oferta, nunca me ocorreu pensar que quando a esmola é muita o pobre desconfia.


Pois que naquele dia não estranhei a sogra ter-me comprado um vestido a mim e não outra coisa qualquer a uma das pessoas que ali estava e que seguramente lhe era mais próxima. Não estranhei mas devia ter estranhado. Pois que, pelo que soube mais tarde, naquele dia a sogra estava a ter uma birrinha com a filha. Parece que antes de eu ter pegado no tal vestido, a filha já tinha dito que gostava da uma data de coisas, mas como a alminha é uma pessoa altruísta e apaziguadora, para chatear a filha, resolveu ignorá-la e comprar-me um vestido a mim, o ódio-de-estimação comum às duas. Parece que conseguiu o que queria, diz que a filha foi para casa chorar muito e praguejar contra a crueldade da mãe e mimimi.


Dizem que pelas costas dos outros vemos as nossas, uma pessoa que trata assim a filha só pode fazer bem pior a quem, como eu, não lhe é nada. Tivesse os olhinhos mais abertos naquela altura e não lhe tinha dado a oportunidade de me usar nos seus esquemas, mas eu era uma miúda, sabia lá que as pessoas podiam ser dissimuladas e embirrentas a este ponto.


Não sei quanto tempo passou entre a compra do vestido e a verdade, mas desde que soube nunca mais o usei. Já nem o tenho sequer.

 

“AS BOLACHAS”
Logo no início dos tempos, numa das vezes que a sogra veio de visita, trouxe bolachas típicas lá da terra onde morava. Há lá bolachas de vários tipos, semelhantes, mas não iguais, como é obvio. Numa das primeiras vezes trouxe as bolachas que o Homem comia quando era pequeno e umas outras, simples e sem chocolate, de que eu gostei particularmente, embora não seja lá grande apreciadora de bolachas. Manifestei o meu gosto e desde esse dia nunca mais a alminha nos trouxe bolachas iguais aquelas, vinham sempre as outras que o filho gostava, aquelas nunca mais.


Não dava grande importancia ao assunto e continuei na minha vida de não comer bolachas. Mas um dia, anos mais tarde, quando o assunto das bolachas veio à conversa, lembrei-me daquelas e pedi especificamente para, por favor, me trazerem** um saquinho na próxima viagem. Dias mais tarde disseram-me que não havia.


Dessa vez, quando a sogra chegou, lembro-me que fomos comer a um sitio qualquer com ela e com a filhinha. No final do jantar, já no estacionamento ela resolveu abrir a mala para distribuir as coisas que tinha trazido… Saem as bolachas que o Homem gosta, tipo dois sacos gigantes e outros dois sacos gigantes para a minha cunhada, imaginem lá de quê?! Das bolachas que eu tinha pedido e que curiosamente “não havia”.


Fiquei de boca aberta, para morrer. Não foi pelas bolachas atenção, foi pela atitude. Foi uma cena mesquinha, só para chatear. A alminha fez questão de me passar as bolachas à frente só para espicaçar. Queria arranjar confusão, mas dessa vez não teve sorte, foi ignorada e o pequeno episódio adicionado à lista-das-cenas-que-comprovam-o-mau-carácter-da-sogra.

 


** Trazerem no plural. Reler esta história depois de eu contar o que prometi para os 2500 likes terá toda uma nova dimensão.

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