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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Já que falamos em vestidos

Na nossa página do Facebook (aqui), a Criatura prometeu para muito breve uma história sobre "o vestido". Ora, como isto de se ser gente num mundo cheio de vida para além do ecrã (ainda para mais com criaturinhas) ocupa muito tempo, temos que colocar a curiosidade em espera e aguentar pacientemente...

Ou talvez não. ;)

Ando aqui a dar voltas a tentar (também) descobrir-lhe a história do vestido mas entretanto, fui-me lembrando de umas quantas histórias de vestidos, com a minha Sogra.

 

Já que falamos em vestidos, aqui vão duas ou três linhas, das minhas.

 

Como vos contei no ínicio, a minha querida Sogra amou o meu casamento e fez questão de levar um vestido apropriado ao que sentía. Mas houve outras ocasiões em que o tema "vestidos" fez chocar a nossa opinião e - ainda jovem educadinha - eu calava e acatava a situação. Fechava os olhos. Ou então, espera, abria os olhos em tom de "não acredito no que vejo" e coisas do género.

 

A senhora minha Sogra casou 3 vezes. Nada contra (ou a favor)... mas já fui presença no segundo e terceiro [ou quase, história para os 2000 fans?] e do primeiro nasceu o meu Coiso. Vamos por parte, que vos conto por etapas.

Quem já nos acompanha há mais tempo, recorda-se o quanto a Sogra é Católica, devota e totalmente fechada na noção de religião dela. Mas o curioso é que quando as coisas são com ela, "a igreja fecha os olhos". E vai daí, no meu casamento, houve uma parte curiosa em que a sogra conseguiu apanhar-me em conversa com a minha mãe e sem sequer esperar que terminássemos, tocou-lhe no ombro e proferiu a sua indignação.

- Ó Comadre, como é que permitiu que a sua filha casasse de vestido branco? Ela já não é virgem, sabia? Que eu sei que o meu filho dorme lá na casa dela! [Considerando que vivemos um ano juntos antes de casar, não era de todo inesperado] É pecado contra a moral!"

Isto, pergunta de uma mulher que também casou de branco, no Civil (ui, então não era Católica devota??) e "de barriga" em plenos anos 70...

A minha mãe é uma "Lady" e com um sorriso [manhoso, diria eu] respondeu qualquer coisa como "isso agora já não tem a importância que tinha no nosso tempo". Claro que longe de saber a história da minha sogra, mas foi bem respondido.

 

Uns anos depois, e estando já a viver ela mesma com um senhor há algum tempo (aliás! Quando eu casei, já vivia com esse senhor mas fez questão que o mesmo não fosse ao casamento por causa da ex-sogra dela lá estar e ainda o ex-marido (pai do meu Coiso).), decidiu casar. Atenção que não tenho nada contra os sonhos de ninguém e sou apologista que todos devemos fazer o máximo para os concretizar... e eis que decidiu casar por igreja, com véu e grinalda (já vos contei, não foi?) e de vestido bem branquinho.

Então e... duas filhas e duas netas como damas de honor... um filho e uma nora como padrinhos... uma neta como "menina das alianças"... um noivo com quem vivia há mais de 5 anos... e já não é pecado? Dois pesos, duas medidas. Aliás - medidas não era o seu forte, a julgar pelas mamocas a saltar do decote do vestido e da cintura a querer desapertar a qualquer momento. (Eu sei que estou a ser má língua)

Nesse mesmo casamento, o código de vestimenta era de Traje a Rigor. E eu era madrinha da noiva [até hoje não sei porquê]... escolhi um vestido dentro das cores que a senhora pretendia e, muito honestamente, dentro de uma gama que pudesse levar a todos os outros casamentos (4!) que tinha nos dois meses seguintes, que a vida não dava para andar a gastar nessas coisas. Foi uma tourada. Porque achava muito mal o vestido ser "simples" e que tinha que ser de griffe. Houve um dia que me saltou a tampa e que lhe respondi que sim senhora, usava o vestido que ela quissesse escolher para mim, desde que o pagasse. Claro que não o pretendia fazer. Levei o vestido que quis.

Depois, o vestido das minhas moças... que tinha que ser branco, igual ao da noiva, e o da mais velha, menina das alianças, tinha ser rócócó e folhos e sei lá. E lá entra a questão do montão de dinheiro que se gasta nesses vestidos... e que eu não podia simplesmente pagar. Mas se fazia tanta questão, dividíamos o valor ao meio.

- Nem pensar. Já tenho muitos gastos com o casamento! Porque não pedes emprestado à tua mãe ou não pagas às prestações? [Isto é normal??]

Calhou um dia em conversa, a Avó do meu marido (ex-sogra da minha sogra), falar no assunto dos vestidos das moças e, porque uma das netas dela ia casar e queriam que a moça mais velha levasse as alianças, eu mencionar a história dos vestido caros que a minha sogra queria que comprasse. A Avó fez logo questão de dizer que os comprava, desde que os pudesse usar no casamento da outra neta. A mim não me fazia diferença nenhuma, até me tirava uma preocupação de cima e aceitámos. Eu fiz questão de esclarecer a toda a gente que tinha sido oferta da Avó (Bisavó das minhas moças, portanto), para não haver grandes confusões.

E foi numa dessas conversas com outros convidados do casamento da minha Sogra que fiquei a saber que os vestidos das outras meninas que acompanharam ao altar (netas de amigas da sogra, que levaram as pétalas de rosa, o final do véu e tal e tal), tinham sido ofertas da Sogra. Assim. Sem mais nada.

Seis meninas e um menino, trajados a rigor, pagos pela  minha Sogra.

 

Não me espantou muito. Aliás... até já era de esperar. Afinal de contas, se fosse diferente, não era a minha Sogra. Era um embuste qualquer.

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