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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

As autoras:

Arquivo:

@ Facebook [04.14]

Como é que é possível co-existir na mesma data o dia do sorriso e o dia da Sogra? Expliquem-me. 

[Coisa @ 28/04/2014]

 

 

Mas vocês acham que são só as sogras que têm os pirolitos desafinados? Nãaaaaa. Os sogros vem logo a seguir na lista.
Mensagem que o Homem recebeu do pai (que é preciso dizer, nunca lhe fez grande mal mas também nunca lhe ligou um carapau): "Ei "x" ajuda aqui o velhinho com alguns eurinhos. Beijo do Pai".
Pena que só se lembra do número de telefone para isto, nos aniversários e épocas festivas falta-lhe sempre a memória. Deve andar a comer muito queijo. Anda a comer muito queijo há alguns 20 anos.
Pfffff.
[Criatura @ 25/04/2014]

 

 

Uma coisa que me lembrei: devíamos partilhar esta página com os amigos masculinos. Porquê? Porque às vezes, sabendo de outras histórias, reconhecemos as nossas. E isso até pode ajudar aqueles que não se tocam ou percebem o que tanto incomoda uma esposa. 
Para além de que também há (muitos) genros com sogras do pior. 
Que o digam os meus cunhados... eheh...
[Coisa @ 25/04/2014]

 

 

Pessoas, as minhas desculpas do fundo do coração.
Esta semana tive a casa cheia de amigos que vieram passar uns dias connosco e a consequência foi pouquíssimo tempo online. Mas estou de volta e assim que o Sapo me deixar entrar no blog, sai um post sobre o tema vestido e olha, sobre o tema bolachas também, para vos compensar da ausência.
Um abraço apertado na Coisa que tem tomado conta da página enquanto eu tenho andado a passear e assim. Calculo que ela vos venha contar o episódio surreal com a sogra ontem, mas tenham paciência, desta vez o assunto é assim para o mais sério, parece-me. 
Obrigada por estarem desse lado. Obrigada 1609 vezes. Os nossos 1609 likes são os melhores de todo o Facebook!
[Criatura @ 21/04/2014]

 

 

Oh meu Deus.
Este post é em directo...
... Eu estou a ouvir uma conversa que o Coiso está a ter com a minha Sogra e irmãos, que me está a arrepiar. (No Skype)
Eu estou na sala ao lado, a segurar-me DE UNHAS E DENTES para não saltar do sofá e não BERRAR com a senhora. 
Inacreditável!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
[Coisa @ 20/04/2014]

 

 

Uma Páscoa Feliz a todos os que nos acompanham, desejando a todas as noras que foram brindadas com Sogras maléficas, muitas doses de paciência e de um copinho de vinho tinto, para ajudar a engolir. 
Às noras com a fantástica sorte de ter Sogras igualmente fantásticas, aproveitem bem e brindem a sorte com também um belo copinho de vinho tinto! 
Bom domingo, até segunda, com novidades!
[Coisa @ 20/04/2014]

 

 

Na entrada da minha casa havia uma arca de madeira com uma série de coisa em cima, uma delas era um vaso com uma orquídea. Certo dia chego a casa e estava uma data de água à volta do vaso.
Eu: D. sogra está água no móvel da entrada, aconteceu alguma coisa?
Sogra: Ah Criatura, nada de especial, só reguei a flor...
Eu: Mas D. sogra, a flor é de plástico...
[Criatura @ 11/04/2014]

 

 

A Miúda tinha para aí 4 anos quando lhe compramos uns crocs tipo mary jane, pretos. Foi ela que os escolheu e estava radiante. Chegou ao pé da avó e feliz da vida mostrou os sapatos novos. Sabem o que é que a minha querida sogra lhe disse? 
- Ai Miúda, que sapatos tão feios. São horríveis, quem é que escolheu isso?
E a seguir foi um castigo fazê-la parar de chorar.
[Criatura @ 06/04/2014]

 

 

Pérolas da minha Sogra: num daqueles dias em que lhe deu para a extrema bondade, foi lá a casa com um saco de bolos de côco, porque o filho ama de paixão e ela queria agradá-lo. 
Só que o filho estava fora do país a trabalho e obviamente, não estava lá para os comer logo de imediato, como ela entende que tem que ser. 
Eu agradeci de coração, disse que ia guardar para quando chegasse, dali a três dias e que podia ficar tranquila que mais ninguém os comia. Aflita que eu não desse ao filho ou pior, não dissesse que foi ela, resolveu levá-los de volta. 
No fim de semana seguinte, teve a distinta lata de dizer ao Coiso que levou os bolos de volta e deu-os ao meu cunhado porque eu recusei-lhe os bolos. 
Faz sentido? Pois. Sogras não fazem sentido. 
[Coisa @ 04/04/2014]

Insatisfação geral.

Tenho andado a dormir mal. Pensei pedir à minha sogra para me fazer a tal cena do azeite, mas depois pensei que tirando a própria, não deve haver muita gente a olhar-me de lado. O processo implicaria um claro conflito de interesses, para ela, obviamente.

Quando não durmo bem muitas noites seguidas fico assim para o mal disposto. Rabugenta, pronto. Mas nada que se compare à minha rica sogra. A minha sogra está sempre mal disposta, sempre. 365 dias por ano, 366 nos anos bissextos.

A insatisfação da minha sogra com o universo em geral manifesta-se das mais diversas formas, muitas vezes passa só por ser embirrante, queixar-se disto e daquilo, mas há outras vezes em que é tão ridículo que se torna hilariante.

Por exemplo, a minha sogra nunca quer ir comer fora. Nenhum restaurante presta, são todos uma porcaria e não gosto e não me apetece e mimimi, quando finalmente se senta num come que nem um alarve. Quer vinho? Ai, não, que horror, vocês estão sempre a beber, são uns bêbados! Enche-se-lhe o copo e ela bebe. E depois repete. Quando sai do restaurante aquilo não prestou para nada, caríssimo, mal servido, o empregado mal educado. A vizinha pergunta-lhe como foi o almoço, ai jasus que foi o melhor almoço da vida dela! Mas isto é a versão light, quando ela quer efectivamente ir, mas tem de chatear sempre um bocadinho no processo. Quando ela vai contrariada é muito mais fixe. Estão a ver uma criancinha de 2 anos cheia de sono num restaurante? Ela é pior, muito pior. Lembro-me uma vez num restaurante chinês que para além da tromba nº44 (algures entre o furioso e o enojado), embirrou com tudo, com a temperatura do ar condicionado, com a comida em si, bufava, mexia-se na cadeira, foi à casa-de-banho para aí 3 vezes e no final, depois de comer, rematou com a seguinte tirada "vocês só gostam de estar a falar à mesa, demoram muito tempo", levantou-se e foi-se embora, dar uma volta nas lojas do centro comercial, uma coisa muito mais útil do que comer sobremesa e beber um café com as pessoas que não via durante grande parte do ano. Voltou depois da conta paga (just sayin').

Depois havias as vezes em que nos convidava para almoçar. O primeiro passo era logo afirmar a trabalheira que aquilo tudo tinha sido, ai que estava tão cansada, já nem se aguentava nos pés. Uma pessoa fica logo a sentir-se bem-vinda e com vontade de ali estar! Depois era tudo a despachar, tipo comer a correr (mesmo que fosse Domingo ou altura de férias), que ela tinha de arrumar tudo para ir à vida dela. Atentem que nós somos pessoas pontuais, que somos, mas com uma criança pequena às vezes há imprevistos e um dia lembro-me que chegamos tipo 20 minutos depois do combinado, já tinha almoçado. Tão simples como isso. Chegou a hora dela, almoçou, o resto que de lixe.

Outra manifestação da insatisfação da minha sogra com o mundo é a maneira como se comporta dentro do carro. Ela não tem carta mas tem sempre opinião. Se vais devagar devias ir mais depressa, se vais mais depressa é porque devias ir mais devagar, que vais apanhar uma multa ou acabar espatifado contra um muro. Numa viagem mais comprida então é brutal. Precisa de parar em todas as áreas de serviço, literalmente todas, para ir à casa-de-banho, para beber, para comer, para chatear, é conforme. Depois a impaciência é tal que não está quieta no banco, levanta-se, ajeita-se, põe o joelho para baixo do rabo, cruza as pernas, descruza as pernas, uma alegria para quem vai ao pé dela. Se vamos a conversar quer ligar o rádio. Se vamos a ouvir música quer falar, ou canta, que ainda é pior. Quando finalmente chegas ao destino a cabeça já está tão cansada que só te queres vir embora, mas espera, isso ainda é pior, porque tens de levar com o filme todo outra vez!

 

Mas isto que vos conto hoje não são episódios isolados, isto é uma forma de estar na vida, que com mais ou menos intensidade se manifestava todas as vezes que estávamos com a alminha. Não me lembro de um único dia sem reclamações ou queixas, estava sempre qualquer coisa mal, sempre. O que me custa no final das contas, é que a vida dela até era porreira, tinha pessoas, trabalho, casa e dinheiro para gastos, passeava, viajava e comprava o que lhe apetecia, mas estava sempre insatisfeita. Caramba, eu até posso ser uma pessoa tolerante, mas se há coisa que me irrita é gente que cospe no prato  em que come e a minha sogra é exactamente assim.

Pérolas no Oceano

Há muitos, muitos - mesmo muitos! - anos atrás, nós ainda dávamos muita trela [quero lá saber da conotação] à minha Sogra. Tanta que, como o meu Coiso faz questão de me relembrar muitas vezes, era inclusive impulsionada por mim, na tentativa de sermos uma família unida e de eu - egoista -, sentir um pouco que tinha uma segunda mãe ao pé de mim, já que a minha mãe vivia do outro lado do país. Eu ainda não sabia lá muito bem o que a casa gastava e na verdade - como também o Coiso está sempre a dizer - fechava os olhos a muita coisa, sabe-se lá porque diabos.

 

Assim, numa das suas negociatas de sucesso [nenhum], comprou uns time sharings de férias e logo no primeiro, decidiu convidar os filhos para irmos todos, 15 dias para Tenerife, às custas dela. Fez-se almoço de família, combinaram-se datas, alinhavou-se o plano, escolheu-se a vila de apartamentos que iríamos partilhar e as tarefas burocráticas que eram necessárias fazer. Tudo muito giro.

Eu, grávida da segunda, com 6 meses, uma de palmo e meio pela mão, estava realmente contente com a escapatória e a promessa de umas férias em Agosto numa ilha paradisíaca. Tirando o facto de ter que ter pago a minha parte (só pagou os filhos dela e o genro) e dos meus pais terem oferecido as despesas da minha de palmo e meio, recordo-me dessas férias com alguma dose de humor. É que naquela de ela se fazer tantas vezes de tótó, acabou por ser mesmo cómica e em algumas situações, só se envergonhou a ela própria. A nós, deu-nos uma barrigada de riso.

 

Na noite anterior a partirmos, fomos a casa da Sogra levar umas coisas que a cunhada tinha pedido e eu reparo na mala aberta da Sogra, cheia de comida. Latas e latinhas, arroz, massa, bolachas, leites...

Óbvio que lhe fiz a pergunta. Para que raio levava ela aquela tralha toda?

Porque íamos para uma ilha. E ela não sabia se lá havia onde comprar. E como íamos para um aparthotel e tinhamos que cozinhar as próprias refeições...

Adiantou eu responder que havia um grande "Continente" lá? Não. Claro que não. As coisas podiam ser demasiado caras.

Resultado? Hilárico: no aeroporto de Lisboa, as duas malas que levava pesavam mais de 45 kg cada uma, pagou 50 contos para as embarcar (cerca de 250 euros); No aeroporto em Tenerife, esteve duas horas no gabinete da Alfandega a tentar destruir a teoria dos guardas de que a Sogra estava a fazer contrabando.

 

Melhores resultados? Claro!

Chegados ao apartamento, uma das malas pingava. Em pleno Agosto, a senhora achava que um voo Lisboa - Madrid - Tenerife (seis horas) podia muito bem levar congelados na mala, ainda que dentro de embalagens térmicas. Peixe, rissóis, croquetes, costoletas e até salsa e cebola picada. Tudo em água. E sabem que mais estava em água? A farinha e o açúcar, companheiras de viagem dos congelados.

 

Deixem-me falar-vos da mala da roupa. Sim, da roupa. Aquela que tinha fruta e legumes também, entretanto macerados do calor e remexidos pelos guardas, já no meio das tshirts e afins. Tinha pêras, bananas, morangos, laranjas, alface, tomate, batatas, cebolas... Mas não tinha as cuecas, um fato de banho e pior... Não tinha pijamas. (Não esquecer que partilhámos um apartamento)

 

O meu Coiso alugou um carro, pago por nós, para podermos tirar o melhor partido possível das férias. Pequeno, lá está, já que mais ninguém queria sair do aldeamento. Éramos só nós os dois mais uma de palmo e meio... e foi a sorte. Tivemos que levar a Sogra ao tal "Continente" da ilha para poder comprar comida, algumas cuecas, um fato de banho e fiz questão de lhe oferecer uma camisa de dormir. Fora de questão ver a senhora de cuecas todas as noites/manhãs.

O facto de a cena lhe ter custado caro, limpou-lhe o dinheiro que tinha disponível e acabámos por ser nós a pagar o supermercado mas isso não me incomodou nada: comprei o que quis, cozinhei o que me apeteceu e ainda pude dizer às cunhadas, volta e meia, "mas se não gostas destes cereais, dá um salto ao mercado e compra outros", de consciência tranquila.

 

A meio das férias lembrou-se que queria ir passear fora do aldeamento. Eu estava indisposta com as temperaturas de 40 graus, 6 meses de gravidez e uma crise de tensão baixa. Sempre vomitei imenso na gravidez e aquele dia em específico, estava no auge da coisa. Vai daí que, a Sogra vendo a minha recusa em sair e a recusa do filho em me deixar sozinha (as cunhadas na piscina, com a minha moça), decide que é mulher suficiente para apanhar o autocarro da vila e ir passear sozinha. Tranquila, da minha parte, só lhe pedi que levasse um cartão do aparthotel com o número de telefone de lá, não fosse a coisa dar para o torto. (Quais telemóveis? Foi há muitooooosss anos...) Ficou tão ofendida que mais depressa se meteu a caminho.

 

Fomos buscá-la às 10 da noite a um outro aldeamento, no outro lado da vila. Estava perdida, não falava espanhol, não se lembrava do nome do aldeamento e valeu-lhe um outro português trabalhador lá que a assistiu a chorar no meio da rua e por conhecer minimamente a ilha, deduziu onde estavamos, ligou para a recepção e pediu para ligar ao número do apartamento onde estávamos.

 

E aquela tarde na piscina do aldeamento, em que se deixou dormir nas cadeiras e ressonava mais alto que o barulho das crianças todas? Impagável. Quando a filha, envergonhada, a foi acordar, irritada porque lhe disse que ela parecia um macaco, levantou-se da cadeira e começou a imitar um gorila, a fazer sons e a rir à maluca. Só ela é que não percebeu que se envergonhou a ela própria.

 

Como digo... foram umas férias para rir.

O surreal em directo

No Domingo de Páscoa tive um daqueles momentos surreais, que julgas que acontece em telenovelas rascas e de argumentação duvidosa ou em filmes de guião barato.

Quem estava online na nossa página do Facebook, apercebeu-se em directo, ao vivo e a cores, a vontade que eu tinha de saltar do sofá e de esganar - ainda que de forma não literal - a senhora minha Sogra. E que se entenda bem, muito bem, porque optei por abrir um estado na página, a falar do assunto, no facebook: é que enquanto o fiz, segurei a minha impaciência, o ímpeto de saltar do sofá e perder toda a minha razão gritando à Sogra "as poucas e boas" que me apetecia, com alguns impropérios pelo meio, que eu também não sou feita de ferro e muito menos, parente de algum anjo.

Valeu-me ter o telefone à mão, comentar no face e ir respondendo às perguntas amiúde. Evitei com isso um tempestade repleta de palavras feias, que teria balbuciado em frente das 3 crianças, que partilhavam a sala comigo. (De acrescentar que as 3 crianças estavam a ouvir a conversa do skype e que as mais velhas estavam tão incrédulas como eu).

 

Disse-vos que teria que escrever aqui esta história para poder exorcizar a minha mente. Mas também precisei de uns dias de silêncio para poder digerir bem a situação e dar espaço ao meu Coiso que fizesse o mesmo e que tomasse as decisões dele, que afinal de contas, acaba por ser o filho e neste caso, desculpem-me a expressão e devida conotação, o filho da mãe. [É só expressão, que o homem é um santo!]

 

Começamos pelo principio e porque para se entender bem a dimensão da coisa, há alguns pontos no tempo que são essenciais.

 

A minha Sogra não teve uma vida fácil. Se calhar, todos nós podemos dizer o mesmo das nossas sogras, mães, tios e afins, da geração anterior à nossa, a geração antes do 25 de Abril. Mas a dela foi particularmente difícil e dou-lhe muito crédito e respeito muito os sacrifícios que fez e a educação que deles resultou aos filhos. Mas isso deveria ter-lhe servido de aprendizagem e não de burrice.

A fome que passou, o meio bocado de pão que partilhou com os filhos abandonados pelo pai, não sendo equitativo para ela, deveria ter-lhe dado ferramentas para aprender a ter uma vida comedida e precaver o futuro. Mas não. Gerou o oposto: conforme a vida foi prosperando, foi gastando, gastando e entrou na espiral das compras facilitadas pelo crédito e sempre que um terminava, o valor libertado dessa prestação tinha uma legenda automática de "onde posso gastar este, o que compro a seguir", não dando espaço para uma poupança, uma antever, uma protecção. Para ela, entenda-se, que os filhos fizeram-se à vida e tornaram-se autónomos muito, muito cedo.

 

Não ajudou nem patrocinou nenhum dos filhos nos estudos. Mesmo sendo professora, tendo acesso a livros mais em conta, não comprou um único livro. Não contribuiu com um tostão para a formação universitária dos filhos. Qualquer um deles.

Em vez disso, na altura em que o meu Coiso estava a meio do curso dele (na altura, o dele durava 6 anos), resolveu comprar uma casa enorme e estaria tudo muito bem, se não tivesse usado os cheques do meu marido - que trabalhava para pagar o curso -, como forma de entregar ao construtor o sinal para o contrato de compra-venda. E estaria tudo ainda melhor se, mês após mês, esses cheques não viessem devolvidos, assegurados depois por um ordenado pequeno que tinha outras intenções e que ela não achava que devesse repôr com a mesma rapidez com que os cheques saíam. Ao terceiro cheque devolvido, o banco cancelou todos os direitos do meu Coiso e levantou uma proibição no Banco de Portugal, com duração mínima de 5 anos. Não importa nada que fossem cheques que a mãe tivesse pedido. Estavam em nome dele. Assinado por ele. Eventualmente ela lá deu a volta a uma das filhas e fez novo acordo com o construtor, o banco dela acabou por libertar o empréstimo e ela comprou a casa.

À conta disso, foram os meus pais que ajudaram o meu marido (na altura, ainda nem era meu marido), a repor os valores dos cheques sem cobertura, a dar-lhe um apoio nas multas que o banco lhe aplicou e a escrever uma carta de referência ao banco - para quem já não se lembra, nesses anos, cheques sem cobertura constituía crime grave e dava cadeia. Principalmente porque falamos de cheques de 100 mil escudos cada (Cerca de 500 euros, que valiam muito mais do que valem agora 500 euros). Comprou a casa e seguiu na vidinha dela. Um "oh pá, filho, desculpa lá. Fiz mal as minhas contas" foi tudo o que o meu Coiso ouviu na altura.

 

Entretanto nós casámos, óbviamente sem qualquer contributo da parte da mãe do noivo, o que também não me incomodou. Muito das despesas pagámos nós e os meus pais ofereceram-nos muito, muito mais. Eu tinha "um sonho" e os meus pais fizeram gosto em realizá-lo.

Claro que ela não estava feliz com o enlace mas também fez questão de dizer que não tinha dinheiro. Dois meses depois de casarmos, comprou uma segunda casa com um único objectivo: alugar para render. Com empréstimo bancário, claro está.

Nada a haver conosco, desde que não nos fosse ao bolso.

Mas foi. E por idiotice, burrice minha/nossa. Havia uma conta em que o meu marido era primeiro titular e ela segundo titular. Daquelas contas do Montepio Geral dos jovens. Era moda na nossa adolescência. E tudo estava bem, havia lá um dinheirinho de parte e era para lá ficar. Até ao dia em que pensámos em utilizar esse dinheiro e não estava lá nada. Serviu de entrada para a tal segunda casa. Águas passadas não movem moinhos e eu não me alongo a contar os tentáculos desta história, que só aqui está para perceberem bem a raíz da cena de Domingo de Páscoa. [Neste capítulo de usufruir de dinheiro que não era dela... temos um livro inteiro]

As minhas moças mais velhas eram bebés e a empresa para a qual eu trabalhava faliu. Dia complicado, esse. Eu tinha uma equipa a trabalhar para mim, informei 18 pessoas do despedimento e às 18 horas o meu director informa-me a mim que eu também ía. Recebi na altura o equivalente a 12 mil euros de indemnização. No dia em que a Sogra soube que eu iria sair da empresa, pediu 6 mil euros ao meu marido, porque ía perder a casa por falta de pagamento. Eu sou muito burra, na altura disse que sim. O plano era ela devolver 500 euros por mês, valor avançado por ela.

Quando o subsidio de desemprego tardou a chegar e lhe dissemos que precisavamos que ela começasse a devolver os tais 500 euros, a resposta foi "mas eu não posso! Se vos DER esse dinheiro, como pago as contas?" - Surreal.

 

Entretanto temos o segundo casamento da Sogra que, fazendo uma festa digna de uma "Tia", vende as duas casas e compra outra mais pequena. Entretanto, o Estado paga-lhe uma cena qualquer que estava em atraso e, porque esteve uns aninhos à espera desse tutu e já lhe estava a fazer comichão, decide comprar uma vivenda de luxo no Algarve, em condomínio privado, com piscina própria. Mas esse dinheiro foi só para o sinal, o belo do empréstimo bancário, teve que existir.

Na altura, há 9 anos atrás, todos os filhos deram a sua opinião de que era demasiado por uma casa, que ela não precisava daquilo, que a prestação mensal era exorbitante, a idade dela e tal e tal e tal. A resposta dela foi peremptória "o dinheiro é meu, ninguém tem nada a haver com isso". Certo. Certíssimo.

O marido estava contra a compra. Inteligente mas MUITO submisso, sabia que o facto de terem 3 casas, todas com empréstimos (ainda que duas arrendadas a terceiros), era já confusão em demasia e não aceitou comprar. Ela não esteve para meias medidas: pediu o divórcio, assinou papéis, entregou, pagou, e no mesmo dia em que recebeu o certificado de que estava divorciada, assinou os papéis da compra da casa. Certo. Nada a haver com isso.

 

Agora, 9 anos depois, reformada da função pública, com rendimento acima da média pelo trabalho duro - é verdade - pelo facto também de ter sido professora no Ultramar [e podia ter-lhe servido para tanta aprendizagem!], o Estado aplica-lhe os cortes que todos sabemos e o ordenado não dá para todos os empréstimos e porcarias de créditos de Cofidis e cenas que foi fazendo ao longo dos anos. Um dos empréstimos já está em penhora, a vida continua a ser vivida como se nada fosse e agora decidiu que vai vender a casa mais pequena (cerca de 400 eur mensais de despesa) para ficar mais folgada. E a vivenda? A vivenda com piscina, 1200 euros de renda ao banco, 100 de condomínio, mensais, IMI inacreditável...?

 

Ora, bem vindos ao meu Domingo de Páscoa.

A meio da tarde, "toca" o Skype [lembram-se? Não vivemos no mesmo Continente - Graças a Deus, há mais de um ano].

- É a minha Mãe - diz o meu Coiso.

- Então atende. É Páscoa, dá lá um gostinho à senhora. - A eterna ingénua, responde [eu]

- Não me apetece. - E o Coiso dá meia volta, retorna à sala e deixa o pc a fazer barulho.

À quarta tentativa da Sogra eu insisti que ele atendesse, não fosse querer desejar boa Páscoa também às netas.

 

"Boa Páscoa, filho" foi de facto a primeira coisa que ela disse. E logo de seguida arrancou com um "Estive a falar com os meus filhos todos e só faltas tu: quero mudar a minha vida e vender a casa de Lisboa e esta do Algarve fica para os meus filhos quando morrer".

Até aqui eu ainda estava de olhos no livro que estava a ler. Nada de mais.

 

Abreviando a conversa e colocando por tópicos, a última dela é assim:

 

- Eu já paguei a casa do Algarve durante nooooovvvveeee anos! Agora é a vossa vez. Porque eu morro não tarda e VOCES é que ficam a gozar a casa. VOCES é que têm que a pagar.

- Fazem um seguro de Vida para mim, que pague a totalidade do empréstimo caso eu morra. Já tenho aqui os papéis e dá 300 euros a cada um. [Hipertensa, diabética, condições cardíacas, obesa, 66 anos... dá para imaginar, certo?]

- Ainda faltam 15 anos do empréstimo e eu não posso continuar a pagar mais de mil euros ao banco todos os meses. Agora é vossa obrigação e quando eu morrer, podem ficar com a casa

- Já fui ao Banco saber e eles dizem que eu posso fazer a obrigação para vosso nome. Tenho aqui os papéis para assinares. E quando morrer, já ficam com a casa.

 

Conforme as frases íam sendo proferidas, eu ía saltando do sofá. E deitando fumo. E tendo ataques de raiva. E coisas assim.

Aquela pessoa que nunca esteve do nosso lado, que nunca ajudou o filho ou as netas, que nunca quis saber se estamos bem ou mal, que nem sequer quis ouvir a opinião do filho na compra da casa, estava ali a dizer aquelas coisas. Com convicção e noção de que estava a ser justa.

 

O meu marido esteve bem. Muito bem. Respondeu à altura, na sua infinita paciência e tom de voz calmo e ainda lhe deu umas quantas lições de vida. Acabou por perguntar o óbvio:

"Mas mãe, não fizeste seguros de vida quando fizeste os empréstimos?"

- Não! Eles são uns ladrões e os seguros ficavam caros, encareciam muito a prestação.

Nem ele nem eu estávamos preparados para ouvir a resposta seguinte:

- Sabes que mais, filho? Eu nem quero saber se pagam ou não. Eu entretanto morro e quando fechar os olhos já nem tenho que me preocupar com as dívidas, são os meus herdeiros que têm que as pagar. As das casas e as dos outros créditos.

 

Isto é surreal.

 

E no fundo, só tenho mesmo muita pena e sofro com o que vai no coração do meu Coiso. Ele diz que nada, que já não o afecta. Mas, até que ponto será mesmo assim?

 

A última palavra foi do meu marido. Da nossa parte, não conta com dinheiro nenhum, nem assinaturas nenhumas. Depois dessa afirmação, a chamada foi muito curta, estava com pressa, a senhora.

Não pediu para falar com as netas, nem perguntou por elas.

 

Assombra-me a ideia das dívidas que a senhora tem e que eu sei que são imensas [ainda lhe fiz muitos IRS e geri as contas mensais uns tempos], passarem um dia para os herdeiros. Os filhos, portanto. Nem sei se o [actual] marido dela herdará alguma coisa. Mas a ideia de que um dia esse problema baterá à nossa porta, tira-me o sossego. Oh se tira.

O vestido e as bolachas.

Aqui há uns dias perguntei no Facebook se deveria contar primeiro o episódio do vestido ou a história das bolachas, só que entretanto meteram-se as férias dos miúdos, chegaram amigos para passar uns dias connosco e os caracteres ficaram pendentes. As minhas sinceras desculpas. Contando os comentários, ganhou claramente a história do vestido, embora deva já desiludir-vos dizendo que não envolve vestidos de noiva, mas sim um vulgar vestido de praia. Não entrando muito no assunto, porque implica falar do tema reservado para os 2500 likes, posso dizer que (por escolha própria) me casei de ténis e calças de ganga, só com os nossos dois filhos presentes, vestidos de noiva são coisa que não me assiste.

 

À laia de compensação pela espera, conto-vos já as duas histórias. Não são grandes histórias na verdade, mas são dois exemplos perfeitos da forma como a minha sogra me tratava. E embora sejam coisas quase irrelevantes isoladas, juntas e somadas a todas as outras confirmam a realidade: a minha sogra é uma pessoa horrível, não só para mim como também para os próprios filhos.

 

NOTA: No momento destes dois episódios (que aconteceram em alturas distintas) é preciso frisar que a minha sogra vivia noutro país mas que viajava para Portugal diversas vezes por ano.

 

"O VESTIDO”
A minha sogra nunca me ofereceu nada de jeito. A descrição das prendas da minha sogra dará um belíssimo texto que pretendo escrever um dia destes, é no entanto importante esclarecer que era sempre tudo tipo mono, especial ênfase para roupa XXL e utensílios de cozinha de gosto duvidoso, maioritariamente coisas que lhe davam e que ela não queria.


Certo dia, numas das visítas da sogra e durante uma volta qualquer num centro comercial, entramos numa loja dessas que vende coisas de surf e assim. Estava eu e o Homem, ela e o marido nº3, a minha rica cunhada e os filhos, acho. Pois que andavamos a ver o que por ali havia quando ela se prontifica a comprar-me um vestido de praia giro e sobrevalorizado, de uma marca da moda, que na altura não me cabia na carteira. Naquela época ainda viviamos em negação tentanto manter uma certa normalidade na nossa vida familiar e ignoranto todas as red flags fiquei contente com a oferta, nunca me ocorreu pensar que quando a esmola é muita o pobre desconfia.


Pois que naquele dia não estranhei a sogra ter-me comprado um vestido a mim e não outra coisa qualquer a uma das pessoas que ali estava e que seguramente lhe era mais próxima. Não estranhei mas devia ter estranhado. Pois que, pelo que soube mais tarde, naquele dia a sogra estava a ter uma birrinha com a filha. Parece que antes de eu ter pegado no tal vestido, a filha já tinha dito que gostava da uma data de coisas, mas como a alminha é uma pessoa altruísta e apaziguadora, para chatear a filha, resolveu ignorá-la e comprar-me um vestido a mim, o ódio-de-estimação comum às duas. Parece que conseguiu o que queria, diz que a filha foi para casa chorar muito e praguejar contra a crueldade da mãe e mimimi.


Dizem que pelas costas dos outros vemos as nossas, uma pessoa que trata assim a filha só pode fazer bem pior a quem, como eu, não lhe é nada. Tivesse os olhinhos mais abertos naquela altura e não lhe tinha dado a oportunidade de me usar nos seus esquemas, mas eu era uma miúda, sabia lá que as pessoas podiam ser dissimuladas e embirrentas a este ponto.


Não sei quanto tempo passou entre a compra do vestido e a verdade, mas desde que soube nunca mais o usei. Já nem o tenho sequer.

 

“AS BOLACHAS”
Logo no início dos tempos, numa das vezes que a sogra veio de visita, trouxe bolachas típicas lá da terra onde morava. Há lá bolachas de vários tipos, semelhantes, mas não iguais, como é obvio. Numa das primeiras vezes trouxe as bolachas que o Homem comia quando era pequeno e umas outras, simples e sem chocolate, de que eu gostei particularmente, embora não seja lá grande apreciadora de bolachas. Manifestei o meu gosto e desde esse dia nunca mais a alminha nos trouxe bolachas iguais aquelas, vinham sempre as outras que o filho gostava, aquelas nunca mais.


Não dava grande importancia ao assunto e continuei na minha vida de não comer bolachas. Mas um dia, anos mais tarde, quando o assunto das bolachas veio à conversa, lembrei-me daquelas e pedi especificamente para, por favor, me trazerem** um saquinho na próxima viagem. Dias mais tarde disseram-me que não havia.


Dessa vez, quando a sogra chegou, lembro-me que fomos comer a um sitio qualquer com ela e com a filhinha. No final do jantar, já no estacionamento ela resolveu abrir a mala para distribuir as coisas que tinha trazido… Saem as bolachas que o Homem gosta, tipo dois sacos gigantes e outros dois sacos gigantes para a minha cunhada, imaginem lá de quê?! Das bolachas que eu tinha pedido e que curiosamente “não havia”.


Fiquei de boca aberta, para morrer. Não foi pelas bolachas atenção, foi pela atitude. Foi uma cena mesquinha, só para chatear. A alminha fez questão de me passar as bolachas à frente só para espicaçar. Queria arranjar confusão, mas dessa vez não teve sorte, foi ignorada e o pequeno episódio adicionado à lista-das-cenas-que-comprovam-o-mau-carácter-da-sogra.

 


** Trazerem no plural. Reler esta história depois de eu contar o que prometi para os 2500 likes terá toda uma nova dimensão.

Já que falamos em vestidos

Na nossa página do Facebook (aqui), a Criatura prometeu para muito breve uma história sobre "o vestido". Ora, como isto de se ser gente num mundo cheio de vida para além do ecrã (ainda para mais com criaturinhas) ocupa muito tempo, temos que colocar a curiosidade em espera e aguentar pacientemente...

Ou talvez não. ;)

Ando aqui a dar voltas a tentar (também) descobrir-lhe a história do vestido mas entretanto, fui-me lembrando de umas quantas histórias de vestidos, com a minha Sogra.

 

Já que falamos em vestidos, aqui vão duas ou três linhas, das minhas.

 

Como vos contei no ínicio, a minha querida Sogra amou o meu casamento e fez questão de levar um vestido apropriado ao que sentía. Mas houve outras ocasiões em que o tema "vestidos" fez chocar a nossa opinião e - ainda jovem educadinha - eu calava e acatava a situação. Fechava os olhos. Ou então, espera, abria os olhos em tom de "não acredito no que vejo" e coisas do género.

 

A senhora minha Sogra casou 3 vezes. Nada contra (ou a favor)... mas já fui presença no segundo e terceiro [ou quase, história para os 2000 fans?] e do primeiro nasceu o meu Coiso. Vamos por parte, que vos conto por etapas.

Quem já nos acompanha há mais tempo, recorda-se o quanto a Sogra é Católica, devota e totalmente fechada na noção de religião dela. Mas o curioso é que quando as coisas são com ela, "a igreja fecha os olhos". E vai daí, no meu casamento, houve uma parte curiosa em que a sogra conseguiu apanhar-me em conversa com a minha mãe e sem sequer esperar que terminássemos, tocou-lhe no ombro e proferiu a sua indignação.

- Ó Comadre, como é que permitiu que a sua filha casasse de vestido branco? Ela já não é virgem, sabia? Que eu sei que o meu filho dorme lá na casa dela! [Considerando que vivemos um ano juntos antes de casar, não era de todo inesperado] É pecado contra a moral!"

Isto, pergunta de uma mulher que também casou de branco, no Civil (ui, então não era Católica devota??) e "de barriga" em plenos anos 70...

A minha mãe é uma "Lady" e com um sorriso [manhoso, diria eu] respondeu qualquer coisa como "isso agora já não tem a importância que tinha no nosso tempo". Claro que longe de saber a história da minha sogra, mas foi bem respondido.

 

Uns anos depois, e estando já a viver ela mesma com um senhor há algum tempo (aliás! Quando eu casei, já vivia com esse senhor mas fez questão que o mesmo não fosse ao casamento por causa da ex-sogra dela lá estar e ainda o ex-marido (pai do meu Coiso).), decidiu casar. Atenção que não tenho nada contra os sonhos de ninguém e sou apologista que todos devemos fazer o máximo para os concretizar... e eis que decidiu casar por igreja, com véu e grinalda (já vos contei, não foi?) e de vestido bem branquinho.

Então e... duas filhas e duas netas como damas de honor... um filho e uma nora como padrinhos... uma neta como "menina das alianças"... um noivo com quem vivia há mais de 5 anos... e já não é pecado? Dois pesos, duas medidas. Aliás - medidas não era o seu forte, a julgar pelas mamocas a saltar do decote do vestido e da cintura a querer desapertar a qualquer momento. (Eu sei que estou a ser má língua)

Nesse mesmo casamento, o código de vestimenta era de Traje a Rigor. E eu era madrinha da noiva [até hoje não sei porquê]... escolhi um vestido dentro das cores que a senhora pretendia e, muito honestamente, dentro de uma gama que pudesse levar a todos os outros casamentos (4!) que tinha nos dois meses seguintes, que a vida não dava para andar a gastar nessas coisas. Foi uma tourada. Porque achava muito mal o vestido ser "simples" e que tinha que ser de griffe. Houve um dia que me saltou a tampa e que lhe respondi que sim senhora, usava o vestido que ela quissesse escolher para mim, desde que o pagasse. Claro que não o pretendia fazer. Levei o vestido que quis.

Depois, o vestido das minhas moças... que tinha que ser branco, igual ao da noiva, e o da mais velha, menina das alianças, tinha ser rócócó e folhos e sei lá. E lá entra a questão do montão de dinheiro que se gasta nesses vestidos... e que eu não podia simplesmente pagar. Mas se fazia tanta questão, dividíamos o valor ao meio.

- Nem pensar. Já tenho muitos gastos com o casamento! Porque não pedes emprestado à tua mãe ou não pagas às prestações? [Isto é normal??]

Calhou um dia em conversa, a Avó do meu marido (ex-sogra da minha sogra), falar no assunto dos vestidos das moças e, porque uma das netas dela ia casar e queriam que a moça mais velha levasse as alianças, eu mencionar a história dos vestido caros que a minha sogra queria que comprasse. A Avó fez logo questão de dizer que os comprava, desde que os pudesse usar no casamento da outra neta. A mim não me fazia diferença nenhuma, até me tirava uma preocupação de cima e aceitámos. Eu fiz questão de esclarecer a toda a gente que tinha sido oferta da Avó (Bisavó das minhas moças, portanto), para não haver grandes confusões.

E foi numa dessas conversas com outros convidados do casamento da minha Sogra que fiquei a saber que os vestidos das outras meninas que acompanharam ao altar (netas de amigas da sogra, que levaram as pétalas de rosa, o final do véu e tal e tal), tinham sido ofertas da Sogra. Assim. Sem mais nada.

Seis meninas e um menino, trajados a rigor, pagos pela  minha Sogra.

 

Não me espantou muito. Aliás... até já era de esperar. Afinal de contas, se fosse diferente, não era a minha Sogra. Era um embuste qualquer.

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