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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Nem no outro lado do mundo, senhores!

É que podíamos dizer que os mais de 5000 km que nos separam actualmente, me livram da irritação que é a língua afiada desta minha sogra.

Mas não.

Na semana passada a minha cunhada fez anos e ligou-se o Skype para se fazer o inevitável encontro de irmãos. Claro que a sogra estava presente e claro que aproveitou para jogar aquele olho gordo para tudo o que pudesse agarrar, criticar, axincalhar. No inicio da conversa com a minha cunhada, a coisa até correu bem, eu achava que o facto de estarmos todos juntos no pc nos livrava de denunciar muito do nosso lar e que a senhora iria conseguir abster-se de muitos comentários.

Mas não.

Em 10 minutos de Skype, conseguiu olhar para as miúdas e achar defeitos em todas. Ora o cabelo está muito longo, faz-te a cara alongada, ora estás mais redondinha, ora tens os dentes de coelho... enfim, ela lá conseguiu encontrar o que dizer. De mim, nada disse, a não ser perguntar por mim da forma mais curiosa "Então a vossa mãe, onde está? A limpar a casa? Ou foi às lojas?".

Uma das miúdas acabou por dizer à Tia que no Verão iriamos de férias e que estaríamos uns dias lá na cidade mas depois seguíamos para o Algarve. Como uma das cunhadas teve bebé, estava nos planos ir visitá-las. A coisa ficou por aqui. Eu, da minha parte, fui espectadora mas muito pouco faladora.

Uns dias depois foi o meu aniversário. Para meu grande espanto, já à noitinha, recebo um telefonema da sogra. Podia ter sido um telefonema simpático, cortês.

Mas não.

Eu atendi, ela cantou os parabéns para a Coisa (!) [sim, ainda acreditei que pudesse ouvir o meu nome] e depois rematou com "olha, sei que estão a pensar vir cá no Verão, mas aviso já que tens que marcar já e depositar já 50% do valor do aluguer senão não garanto que a casa esteja livre".

Eu ainda ía ser simpática, mas depois, este espaço aqui tem-me dado assim umas forças engraçadas e resolvi ser educada mas assertiva:

- "Quem é que lhe disse que vamos ficar em alguma das suas propriedades? Nós temos onde ficar e se quisessemos alugar uma casa de Verão, a sua seria a última onde ficaríamos. Gostamos de nos sentir bem e de nos sentirmos em bom ambiente."

A conversa dela foi logo que agora o aldeamente tinha uma nova empresa de limpeza e que a piscina pátáti pátátá e eu cortei a conversa e disse assim meio tom acima "Oiça D.sogra, não está a entender, não ficava na sua casa nem que fosse de graça, nem consigo lá nem sem si. Não há pano que limpe a sua má energia".

Começou a dizer qualquer coisa mas eu não ouvi, tirei o telefone do ouvido e estiquei-o ao meu marido. "Toma, é a tua mãe".

"Olá, mãe, como estás, vou passar às tuas netas", foi só o que ela ouviu dele.

Nem 2 minutos depois as miudas retornavam o telefone à base. Tal foi a grande conversa e as imensas saudades.

 

Mais tarde uma delas disse-me que a Avó lhes disse que se quisessem passar uns dias na casa de Albufeira, que convecessem o Pai. A Avó fazia um preço especial por ser para as netinhas queridas.

 

Eu repondi que, se ela dá valor ao Pai de bom humor, mais valia esquecer o assunto.

 

Não há paciência.

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