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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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Quem empresta não melhora. E quem pede emprestado também não.

Certo dia lembrei-me que gostava de experimentar coser à maquina e como não tinha nenhuma resolvi pedir a da sogra emprestada. A máquina de costura da sogra estava fechada num apartamento usado meia dúzia de vezes por ano, daí ter calculado que não lhe faria muita diferença o empréstimo. Depois da autorização dada lá comecei a aprender a mexer naquilo e nem me saí mal, fiz imensas coisas úteis e giras. Descobri todo um novo mundo!

 

Passou-se algum tempo e eu continuei a usar a máquina de costura da sogra. Certo dia ela telefona-me e diz-me que tenho de dar a máquina à filha, porque a filha tinha uma amiga que queria fazer uns cortinados para a sala e precisava dela. Fiquei com pena, mas obviamente agradeci e prontamente devolvi a máquina. 

 

Durante algum tempo não costurei, embora eu já andasse com vontade de comprar uma para mim, naquela altura não dava jeito gastar dinheiro em coisas não essenciais. 

 

Entretanto avariou-se-nos a máquina de lavar loiça e se não dava jeito comprar uma de costura, uma de lavar loiça muito menos. Foi então que não sei de onde apareceu a ideia peregrina de pedir a da sogra emprestada. O apartamento estava sempre fechado e a máquina pouco era usada, nós éramos 4 e tínhamos duas crianças pequenas, parece-me a mim que para pessoas com o coração no lugar isto é uma ideia razoável. Não fui eu que discuti o assunto, mas logo de início a coisa estava a correr para o mal, nevertheless a máquina acabou por vir para nossa casa. Não me recordo quanto tempo a usámos, sei que a estimávamos ainda mais do que se fosse nossa apesar daquela porcaria deitar água por baixo, coisa que já fazia na casa da mãe do Homem, mas que ela se esqueceu de nos dizer.

 

Passou-se mais algum tempo. Eu continuava a não costurar e usávamos a máquina de lavar loiça da sogra. 

 

No meu aniversário desse ano a minha mãe ofereceu-me um máquina de costura e eu fiquei muito, muito contente. Dias mais tarde, ao falar com a sogra, já não sei bem porquê, foi mencionado isso mesmo. Uma pessoa boa teria ficado feliz por mim, não era? Pois, mas não foi o que aconteceu. Do outro lado, a resposta (em tom arrogante) foi qualquer coisa como "Ah sim?! Então agora a seguir podes pedir-lhe para te oferecer uma máquina de lavar loiça!".

 

Fiquei para morrer. 

 

Aquele dia foi para mim o início do fim. Mais de 10 anos a acumular desaforos e a por mesquinhices para trás das costas, aquela frase foi o que fez transbordar o copo. Ainda hoje me faz confusão como é que uma pessoa pode ser tão horrível, tão má. Essa noite foi a última em que a máquina de lavar loiça da sogra esteve na nossa casa. No dia seguinte foi devolvida à origem e durante os seis meses seguintes, tempo que levou até comprarmos uma nova, lavei todos os dias a loiça à mão, com muito orgulho e a consciência tranquila. 

 

Acho até que essa foi das últimas vezes que falei com a mãe do Homem, foi nesse dia que cheguei ao meu limite e deixei de tolerar o mau carácter da senhora. I was done. Finally. 

 

Mas calma, a história não acaba aqui!

 

Lembram-se da máquina de costura? E do telefonema a dizer para dar à filha para a filha emprestar à amiga que queria fazer cortinados? 

 

Tuns out, a máquina nunca saiu da casa da filha. A amiga, que eu por sinal também conheço, nunca quis fazer cortinados (disse-me pessoalmente algum tempo mais tarde). O que aconteceu foi que eu estava a usar a máquina e a fazer coisas giras e a dor de cotovelo é lixada. Não sei de quem terá sido a ideia, mas o objectivo era só um, tirar a máquina lá de casa mesmo quando não fazia falta a ninguém, nem à mãe (que estava bem longe) nem à filha (que é assim para o limitado). Uma maravilha, certo?

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