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à nora com a sogra

Um blog sobre histórias de família em geral e mães de maridos em particular. Ou um registo terapêutico de episódios reais que mais parecem ficção.

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13 de Maio

A propósito de hoje ser 13 de Maio, lembrei-me daquela viagem que - forçosamente, todos tivemos que fazer, a Fátima.

Honestamente, já não me recordo bem qual foi bênção que a senhora Sogra pediu a Nossa Sra de Fátima, parece-me que na altura não prestei muita atenção à situação mas foi atendida e a promessa havia de ter que ser cumprida.

 

Já estão a ver tudo, não é? O pagar da promessa envolvia que todos fossemos recambiados para Fátima e pagar a promessa com a Sogra.

Nestas coisas da fé eu não me intrometo e cada um tem as suas crenças, foi fácil convencer-me a juntar-me às cunhadas e genros e, seguir atafulhados numa carrinha alugada, centenas de kms acima e kms abaixo.

 

Não me incomodou que tivesse que comprar velas do nosso tamanho e acendê-las em nome da tal promessa. Ou que tivesse que fazer o percurso em agradecimento, rezando pais nossos e avés marias, isso não me transtornou nada. Agora aquele bocadinho no Santuário... ali, onde as missas se rezam e os senhores Padres elevam os pensamentos de quem lá busca consolo... Foi lá, que as minhas duras penas começaram. Lá, no tal Santuário. Local de oração e meditação, de sossego e introspecção.

 

Lá, onde a minha querida Sogra, faminta - de comida, não de fé, resolveu sacar do tupperware e abrir ali mesmo, sentada nos bancos da missa, a meio da cerimónia e deliciar-se com um belo naco de bifana.

O cheirinho a porco frito misturado com alhos semi crús e mostarda, encafuado num tupperware de plástico na noite anterior, a exalar pela igreja a fora e a traumatizar os narizes fungosos dos crentes que lá rezavam e choravam as suas penas.

 

Valeu a pena algum de nós chamar-lhe a atenção? Claro que não. Afinal, a missa estava ainda no princípio e a senhora já estava em jejum há horas.

O mastigar alto dela servia de base à javardice que para ali ía de migalhas, a cair naqueles banquinhos onde normalmente se colocam os joelhos. E a postura? Bem, a postura fazia lembrar alguém que abanca confortavelmente no sofá a ver a novela e a comer a bela da bifana.

 

Estão a ver aquela parte da missa em que se cumprimentam os demais? Ninguém se virou para ela.

Nem vos consigo descrever o quanto ficou ofendida e as milhentas coisas que resmungou sobre a falta de fé e de caridade dessas pessoas na missa, durante todo o resto do dia.

Ainda tentei fazer uma promessa que se ela adormecesse na viagem eu voltaria a Fátima mas, desta vez, nem Nossa Senhora me valeu.  

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